Onde foi que erramos? Essa é a pergunta que pais se fazem quando um filho problemático e errático sai da linha mais do que o normal, causando problemas além dos previstos e calculados, criando uma bagunça que a pessoa não sabe nem por onde começar, quando se trata de limpá-la. É uma pergunta plausível a se fazer, haja vista a situação em que nos encontramos.

Vivemos em um mundo difícil: Plutão não é mais planeta, orca não é mais baleia, o tiranossauro rex está em xeque enquanto espécie, há rumores de que sequer existiu, e agora, pra piorar, o nível de desconfiança e incredulidade nas instituições é baixíssimo, mais baixo que a aprovação atual do presidente norte-americano, Donald Trump: 38%, de acordo com a CBS News.

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Que legado deixaremos para as próximas gerações, se implodirmos tudo nessa década? Estamos mesmo caminhando para a autodestruição, como tem apregoado Stephen Hawking? Vamos ter de deixar o planeta? Bom... se o fizermos, vamos ter de deixar boa parte da classe #Política toda por aqui também então.

Se fosse uma exclusividade brasileira, poderíamos resolver o problema simplesmente "isolando" o Brasil e importando bons políticos para cá para resolver a situação. Contudo, vemos que a falta de transparência, a corrupção, os escândalos e a farra com o dinheiro público não são "privilégios" tupiniquins, mas estão espalhados por todo o mundo livre, e até mesmo nas ditaduras.

Vemos uma Cuba miserável, presa nos anos 1950, mas com uma família Castro pujante em uma vida nababesca. No entanto, alguns de nossos mais ilustres políticos, inclusive nossa ex-presidente impichada Dilma Rousseff, consideram Cuba um modelo a ser seguido, e até importaram médicos de lá, que já se sabe que, na verdade, muitos trabalhavam para sustentar as regalias dos Castro, enviando 60% do seu salário para o governo cubano, e alguns até eram espiões do regime, conforme noticiado pela revista Veja.

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Se Cuba e seus negócios escusos, como o empréstimo feito no nosso BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para construir um porto por lá, são o "modelo", o que nos esperam sociedades e regimes fora do padrão? Nada bom, seguindo nessa ótica.

Os filósofos e sociólogos dizem que vivemos em uma era chamada de pós-modernismo. Essa era seria o homem, desencantado e desiludido com as promessas feitas e não cumpridas, pelos avanços da ciência e dos tempos modernos. Tal homem, irremediavelmente desenganado, busca desconstruir e desacreditar, de forma não totalmente proposital.

Logo, se torna irreverente e passa a não respeitar plenamente as instituições, nem as tradições e a questionar tudo. A utopia do socialismo já caiu em desencanto há tempos, junto com o muro de Berlim, que simbolizou um abraço afetuoso do Tio Sam para toda aquela gente dizendo "sim, te perdoo, volte pro Capital", e aquelas pessoas, sem alternativa melhor, abraçando-o de volta.

De 1989 pra cá, a coisa tem piorado, porque não mais os muros de separação de um mundo bipolar é que caem, e sim os próprios governos instituídos dentro de nossas fronteiras.

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Thomas Hobbes, filósofo inglês, dizia que todo poder é soberano em si e emana do povo; logo, não é possível haver nação honesta com políticos corruptos, e vice-versa. Logo, o desencanto com as instituições e com os representantes do Legislativo, Executivo e Judiciário, os três poderes, os três pilares da #Sociedade democrática, é um desencanto de nós mesmos, pois o povo é espelho de sua liderança. Trágico!

Em meio a crise de confiança em nossos governos, queda de ministros, presidentes, carapuças e tudo mais; em meio a um TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que absolve uma chapa Dilma-Temer visivelmente irregular e corrupta, com diversas evidências conhecidas, em meio a escândalos monstruosos na Petrobras (nossa maior e até aquele instante, mais confiável empresa), em meio a delações premiadas, que realmente mais parecem prêmios para os delatores (JBS/Friboi que o diga), a ponto de um dos delatores ser exaltado como quase um herói nacional pela revista Exame, fica fácil entender porque, mais do nunca, a sensação de impunidade e inimputabilidade criminal paira como nuvem negra sobre nosso país, e também sobre o mundo, com um presidente como Donald Trump demitindo o chefe do FBI, James Conway, por ele poder comprometê-lo em relação a sua controversa eleição e o envolvimento com a Rússia de Putin. A coisa está feia. A crise não é só financeira, é moral, institucional e emocional.

Impossível não associar o que vimos em House of Cards, com os fatos mais recentes no Brasil: um vice-presidente ascendendo ao poder por meios duvidosos, um presidente da Câmara que tinha mais poder que o presidente da República, um jogo de traição interna e de obsessão pelo poder etc. Contudo, provavelmente, as pessoas ainda assim talvez preferissem votar em Frank Underwood do que em Michel Temer ou Trump.

Qual seria a solução? Devolver o Brasil para os índios e pedir desculpas? Ai a gente também os indeniza por roubarmos o ouro deles, trocar por pentes e espelhos, massacrar o tupi-guarani e a cultura indígena (contra a vontade de José de Anchieta), por trazer pardais, pombos, ratos e vírus da gripe nos navios portugueses, para solo brasileiro, já que não tinha nada disso aqui, e ainda dizemos que tudo foi um grande engano, que era para termos ido parar nas Índias, mas o Waze cortou caminho por Paraisópolis e cá estamos! Infelizmente, não possuo a resposta.

Conforme diz filósofo Fabiano de Abreu: "Viver pode não ser tão ruim". Tomara, Fabiano, tomara. Porque já dizia a cantora Kátia: "Não está sendo fácil viver, não está sendo fácil".

E que Deus abençoe a América. E, se possível, do Sul. Estamos muito, muito necessitados mesmo! #Opinião