O que garante uma “democracia” é a participação popular. Ou seja, o que dá legitimidade para um governo é o voto. As urnas falam quem vai governar, mas é preciso lembrar que antes do cidadão se dirigir às urnas, existe uma campanha eleitoral. Teoricamente, esse é o momento para a exposição do programa de governo do candidato ou candidata.

Os debates e comícios nada mais são que a apresentação desse programa. Os candidatos tentam vender seu peixe. Os programas de governo são comumente entendidos como “promessas eleitorais”. Infelizmente, o modus operandi da nossa democracia não garante que aquilo que foi apresentado na campanha deva ser efetivamente cumprido durante o exercício do candidato eleito.

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A republiqueta brasileira carece de ferramentas que garantam a soberania popular.

Há uma clara e objetiva deslegitimidade governamental quando o chefe do executivo faz justamente o contrário daquilo que foi acordado em campanha. O atual presidente, mesmo que constitucionalmente tenha garantias para cumprir o mandato, apunhala e fere a soberania popular. O projeto de governo que ganhou nas urnas não foi “Um salto para o Futuro”. Quem ganhou o debate não foi quem argumentou reforma da Previdência ou cortes de despesas na Educação e Saúde.

Nesse sentido, os gritos de “golpe!” são como que gritos de socorro. Não foi golpe no Partido dos Trabalhados (PT); mas nos próprios trabalhadores. Aquilo que foi escolhido pelo eleitor virou fumaça. Não porque uma presidente sofreu impeachment, mas porque a soberania popular se dissolve em meio a falácias de crise.

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Os programas de governos foram trocados. O discurso de crise se torna desculpa para um programa de austeridade.

Os projetos de governo que perderam nas urnas hoje são colocados em pauta. Tudo aquilo que os cidadãos tinham medo hoje torna-se realidade. Até mesmo os candidatos que foram derrotados hoje estão no poder. Aécio Neves e José Serra governam o país. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que perdeu as últimas quatros eleições presidenciais, se assenta no trono do governo brasileiro. “Nunca antes na história do Brasil” se viu tanta cara-de-pau.

Se quem ganha uma eleição não garante a execução de seu próprio projeto vencedor, imagina os perdedores. Estes não têm compromisso algum com o povo. O governo atual não tem um pingo de legitimidade. A percepção popular é única: o atual governo é inimigo do povo. #Política #Corrupção