O início da epidemia da #AIDS completa 36 anos hoje (5). Sob a articulação discursiva biomédica-midiática, a doença foi diagnosticada, inicialmente, como uma epidemia gay e o famoso "câncer gay" foi difundido socialmente, oprimindo ainda mais a comunidade LGBT+ da época.

Muitos avanços foram alcançados, primeiramente pela luta dos gays e das travestis pelo tratamento digno e pelo avanço das pesquisas relacionadas à infecção. Atualmente, existem tratamentos preventivos e acompanhamento da situação de saúde. PrEP, TARV, testes rápidos, pré-natal, camisinhas penianas e vaginais, estas em menor quantidade - qualquer relação com a nossa cultura machista não é mera coincidência - estão disponíveis nos Centros de Testagem e Aconselhamento e nos ambulatórios.

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Os exames de controle da carga viral (quantidade de vírus circulante no sangue) e do CD4 (controle da situação imunológica) são, também, disponíveis gratuitamente no SUS, com a atualização de que o CD4 vem sendo retirado de forma diretiva pelo governo, sem consulta à comunidade médica e, principalmente, à parcela da população que necessita desse exame.

Paradoxalmente ao avanço da medicina nas pesquisas temos o avanço do número de infecções pelo HIV. O #Preconceito é uma das maiores causas desse avanço. Ainda hoje, a imagem do HIV e da Aids se mostra atemporal, pois revalida-se o discurso construído na década de 80, o qual também se inseriu de forma violenta e irrefletida nas outras esferas sociais, aumentando o pânico social e, consequentemente, o preconceito.

A Lgbtfobia e o preconceito contra pessoas trabalhadoras do sexo contribuem significativamente para o avanço das infecções, pelo fato de que, dentro das abjeções sofridas por essa parcela da população, a imagem da pessoa doente ainda é colocada sobre quem não possui o local social de fala, sendo apenas seres do sexo.

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Colocar o HIV e a aids como sendo algo que acontece apenas com pessoas abjetas, ainda é uma prática recorrente e contribui para o aumento de infecções entre homens e mulheres heterossexuais.

Ainda esbarramos no preconceito como o principal fator para o aumento do número de infecções por HIV no Brasil. Os anos 1980 nos deixaram uma imagem que, além de continuar agindo sobre os corpos LGBT+ como os potenciais propagadores da infecção, reforça a opressão sobre pessoas empobrecidas, negras e trabalhadoras do sexo.

Adicione a isso uma política e uma religião que interferem nos processos educativos e no avanço das instituições escolares e você terá uma obstáculo que alavanca o preconceito e o desrespeito a direitos humanos básicos. O sucateamento do SUS reduz as possibilidades de in-formação da população sobre as ISTs e o acesso a métodos de cuidado básicos.

O que fica após esses 36 anos é que realmente precisamos falar sobre HIV/Aids e suas problemáticas. E ainda existem aquelas pessoas que nos chamarão de vitimistas.

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Somos sim! Vítimas de uma epidemia discursiva que há 36 anos age sobre nossos corpos. E você? Já falou sobre HIV/Aids com alguém? Procurou conhecer a realidade de pelo menos uma pessoa que vive ou convive com essa infecção? Que tal exercitar? #2017