A #Sociedade atual caracteriza-se pela pressa. A sensação é de que as horas estão encurtando. Às 24 horas do dia já não são mais suficientes para fazer aquilo que se fazia no passado, no dia anterior. O epitáfio “tempo é dinheiro” nunca foi tão atual. As pessoas já não têm mais tempo para coisas essenciais, como por exemplo, brincar com os filhos, ou observar o pôr-do-sol num fim de tarde, com a família, com a pessoa amada. A mensagem latente é: “não há tempo a perder”.

Qualquer que seja a apólice para uma relação saudável e duradora entre as pessoas, ela vem com prazo de validade: é-se advertido que ela se sustenta apenas “pelas próximas horas”.

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Também há uma suposição de importância ainda maior: seja qual for o ganho por responder prontamente o chamado, ele não durará para sempre. Na sociedade atual, tudo é efêmero, passageiro, ou como diz Zygmunt Bauman (1925-2017), “liquido”.

Por outro lado, Milan Kundera (1929) observou no romance A lentidão que há um laço entre a aceleração e o esquecimento da sociedade atual. Diz ela, “o nível de velocidade é diretamente proporcional à intensidade do esquecimento”. Por que isso? Porque o homem deve aprender, sobretudo, com os encontros e desencontros na vida. Conversar com uma pessoa “desconhecida” na rua de casa não é perder tempo. Deve-se viver intensamente o momento. O aqui e o agora só faz sentido se for vivido com amor, carinho, felicidade e respeito ao outro.

Essa concepção positiva é compartilhada pelo poeta Vinícius de Moraes (1913-1980) quando dizia que “a vida é a arte do encontro, embora haja muitos desencontros pela vida”.

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Na existência humana é assim, por mais que se cultive a sintonia, o entendimento, a reciprocidade, há momento em que as diferenças aparecem e surgem os conflitos. O importante é observar que essas ocasiões são oportunidades de crescimento humano. Fique atento!

Dessa forma, a questão é, agora como antes, jamais perder o momento de agir. Enquanto ser de ação, Aristóteles (384-322 a.C) dizia que: “O homem que decide pode errar, mas aquele que não decide já errou”. Ou seja, assim como no passado, a sociedade contemporânea não perdoa as pessoas que ficam “encima do muro”. Toda experiência é válida, principalmente quando não é alienada nem alienante.

Por outro lado, a vida na sociedade atual, capitalista, excludente e de #consumo, é uma vida de aprendizado rápido e imediato esquecimento. Ou seja, esquecer é tão importante quanto aprender. O que isso quer dizer? Que é preciso jogar no lixo o conhecimento, as relações, as experiências, e até as pessoas para sobrar espaço ou tempo para novas experiências.

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E assim as relações, familiares, matrimoniais, etc., são descartadas.

Segundo Zygmunt Bauman (1925-2017), “o valor mais característico da sociedade de consumidores, de fato seu metavalor, o valor supremo em relação ao qual todos os outros são levados a justificar seus próprios valores, é a vida feliz”. No entanto, segundo esse mesmo autor, “não há evidência alguma de que, com o crescimento global do volume de consumo, cresça o numero de pessoas que se declaram se sentir felizes”.

Assim, numa sociedade verdadeiramente cidadã, o longo prazo ganha prioridade sobre o curto prazo e as necessidades de todos suplantam as necessidades de suas partes, assim, as alegrias e satisfações derivadas de valores eternos são considerados superiores aos efêmeros arroubos individuais; e a felicidade de um maior número de pessoas é posta acima dos problemas de um número menor. Enfim, seja como for, o importante é a ética de coabitação pacífica prescrita pelo mandamento de “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. #ética