Quem nunca se perguntou o porquê dos nossos jovens não amadurecem antes dos 40 anos? Isso, para muitos pensadores contemporâneos, é a falta de responsabilidade que os próprios pais têm com seus filhos.

Para o filósofo Luiz Felipe Pondé, isso é devido à facilidade do mundo de hoje e, também, à sociedade avançada que vivemos. Ainda segundo o filósofo, a esquerda ajudou com sua visão infantil da realidade em achar que pode negar a realidade. Mas ela mesma, a esquerda, nega que é o fetiche mais chique do capitalismo em seu estado avançado.

Se a esquerda tem um discurso utópico em sua crítica totalmente infantil, os liberais tão pouco ajudam com a sua própria utopia de colocar o mercado como a resolução de tudo.

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Segundo Pondé, os liberais falham em sua falta de reverência dentro do seu próprio fracasso.

A falta de humildade da esquerda é evidente em assumir que é um produto do capitalismo também, como qualquer marca que possamos observar. O nosso cadafalso, ironicamente, é o sucesso de um dos melhores métodos de produções de condições de vida que possamos ter inventado: o capitalismo, que fazem sermos pessoas bem de vida e isso nos torna, no mínimo, bobas. Mas o que isso tem a ver com nossa #juventude? O pensador esclarece com seu pensamento da falta de afeto, afinal, não pode existir paixões alegres sem nenhuma paixão triste.

Esse fim do afeto sempre ocorre por estar intimamente ligado ao fim do amadurecimento porque este implica naquele. Não há nenhum amadurecimento sem nenhum sofrimento e esse é a cerne de todo esse esforço moderno de eliminar totalmente o sofrimento.

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Mas Pondé pede calma porque ele não está elogiando a agonia ou o sofrimento, mas dizendo que nossa sociedade se tornou uma sociedade utilitarista.

Segundo o utilitarismo de Jeremy Bentham (1748-1832) e de John Stuart Mill (1806-1873), todas as pessoas fogem da dor e sempre buscam o bem-estar. Assim, o utilitarismo vem transformando em comportamentos cada vez sistemáticos, produzindo um novo produto, um momento cada vez mais infantil da nossa espécie, a nossa era.

Se pode ver claramente esse fim do amadurecimento, tanto no comportamento dos mais jovens, como também, dos mais velhos. Não podemos comprar ou buscar o amadurecimento porque não é algo, porque ele está mais perto do fracasso do que do próprio sucesso. É um tipo de estado de espirito que revela muito mais o silencio do que o próprio ruído da nossa autoafirmação, sempre pede paciência, como um conceito sempre vai pedir paciência, como diria o filósofo alemão Hegel (1770-1831).

Segundo o próprio Hegel, sempre levanta voo no final do dia, como a coruja da filosofia.

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Por isso mesmo, sem errar, sempre associamos o amadurecimento aos mais velhos. Hoje, quando se pode ver avós querendo fazer as mesmas coisas do que o neto, sempre se deve apostar que ali há um imaturo meio de retardo mental como algo instalado como meio de vida, segundo Pondé. Isso é muito pior nos jovens - o estrago foi muito pior. Já chegam na universidade atolados de políticas de #vulnerabilidade.

Essa política de vulnerabilidade, explica, vem de um livro de 2004 de um sociólogo inglês chamado Frank Furedi chamado “Therapy Culture” - que não tem tradução aqui - , e apontava uma pesquisa empírica da própria imprensa britânica. Consistia um crescimento de termos psicológicos que descreviam uma vulnerabilidade, ainda angústia, necessidade de aconselhamento, ansiedade, distúrbios de atenção entre outros.

Nas universidades e nas escolas, o impacto pode ser enorme. Disfarçadamente, os pais e profissionais do ensino pressionam essas instituições de ensino para sempre aprovar seus filhos em nome desses seus diagnósticos. Usam o termo inclusão para justificar algo das velhas práticas em negação desses resultados ruins dos seus filhos pacientes. Afinal, essa vulnerabilidade clínica deve ser um critério, segundo o pensamento dos ideólogos dessas políticas de vulnerabilidade, para serem aprovados.

Qual o resultado disso? Entre outras coisas, explica Pondé, existem jovens que cada vez mais estão frágeis, ou quase nenhuma resiliência aos fatos. Essa mesmo avaliação se torna algo como um stress patológico onde muitas vezes se torna uma avaliação a algo muito além de mera devolutiva da matéria e seu conteúdo. No futuro, o professor será processado por não passar de ano um dos alunos. Isso é endossado, quase sempre, pelas psicólogas do Ministério Público que investem nesse problema da pedagogia e o desastre do amadurecimento.

No ganho secundário, Freud (1856-1939) diria: essa neurose da vulnerabilidade é que muitos jovens são poupados de toda a responsabilidade moral. A vulnerabilidade catastrófica de uma geração de medrosos com iPhones.