Estamos vivendo uma profunda crise politica, onde nossa sociedade anseia por uma repaginada ética em toda essa lamaceira que se instaurou e se intensificou em Brasilia. Em contra partida, estamos naufragados em uma crise econômica que está retirando o poder de compra dos consumidores e atingindo em cheio os trabalhadores com menor poder aquisitivo. Tudo isso é bastante grave quando se tenta ler por uma ótica mais otimista, pois a luz no fim do túnel parece não ser tão clara quanto deveria ser.

Estamos bem próximos das eleições, onde escolheremos mais uma vez nossos representantes do legislativo e do executivo. Esse cenário é bastante delicado, quando paramos para analisar os futuros candidatos a vaga da presidência da república, puxando aqui para o âmbito nacional: Jair Bolsonaro (PSC/RJ), promete ser a grande surpresa dessas eleições,quando observado a guinada a direita e a repulsa pela esquerda ao redor do mundo.

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O comunismo se queimou em transições falhas para um sistema lindo nos ideais do sociólogo alemão, Karl Marx. A verdade é que apesar das inúmeras atribuições positivas aos resultados de Cuba, todo processo de ditadura não foi bem encarado para os fãs de democracia. Coreio do Norte também não vem sendo um bom exemplo da transição ideológica do socialismo, e todos esses fatores alinhados com os tropeços irrevogáveis do Partido dos Trabalhadores administrando o Brasil fizeram com que a sociedade brasileira passasse a desacreditar dos governos populistas, fazendo crescer o receio de ditaduras comunistas no país.

Jair Bolsonaro, vem como um simbolo do diferente e parece ser tudo que uma sociedade que naturaliza indignação seletiva precisa. Marina Silva (Rede) aparece sempre quando se escuta as palavras mágicas ''Eleições gerais'', ''Diretas já'', ''Eleições'', pois parece respirar ''oportunismo'' quando o assunto é se colocar e ser lida como uma via que fuja do FlaXFlu do PSDB e do PT no Governo Federal.

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Sob essa ótica, os partidos de oposição ao Governo do Presidente Michel Temer (PMDB) como PSOL, PT, REDE, PCdoB e outras siglas menores, parecem entregar a Marina Silva as palavras que ela mais gosta de ouvir. Isso se deve justamente ao estado de exceção que estamos vivendo, onde as instituições não estão sendo mais respeitadas e onde não estão se dando mais o devido respeito.

Michel Temer (PMDB), após o vazamento de conversas com empresários da JBS, não tem mais condição alguma de continuar ocupando o cargo mais importante da república, quiça pensar em se candidatar. O PMDB não funciona como um partido de comando, ele controla pelos bastidores e isso que faz dele uma partido atemporal, mesmo com caciques sendo derrubados em delações premiadas por conta da #Lava Jato, como o ex Governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB/RJ).

Lula (PT), um dos maiores presidentes que o Brasil já teve, causa calafrios na direita e profunda ansiedade no mercado. A direita do Brasil não quer um presidente populista, eles querem um representante que apenas trabalhe para financiar os luxos dos mais ricos.

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Para o desespero de muitos, ele aponta como líder das pesquisas de intenção de voto. [VIDEO] A esquerda já está divida entre ter Lula como principal articulador ideológico, capaz de unificar partidos com representatividades pequenas ou apostar em um novo nome. O fato é que o PT não tem mais nenhuma figura capaz de ganhar as eleições, sendo o Lula sua cartada final e tendo nele a esperança de retornar ao poder. Os bancos e algumas empresas não têm porque se preocupar, pois nunca lucraram tanto como lucraram em governos petistas. A única diferença aqui é que os pobres tinham oportunidades que jamais foram entregues em nenhum outro governo. Esse olhar, por mais que mínimo, existe no governo petista e isso é incontestável. Parte da Esquerda discorda de ter Lula como principal voz dos movimentos sociais. Por outro lado, Lula corre o risco de ser preso na Lava Jato, uma vez que é réu 6 vezes, inclusive tendo processos tramitando no Superior Tribunal Federal. Isso faz do Lula uma incerteza política e pode bagunçar todo sistema eleitoral e todas as certezas colocadas na mesa.

A esquerda tem motivo para não querer mais depositar no PT todas as suas fichas, eles se aliaram com os setores mais parasitários da politica brasileira, intensificaram a corrupção, fizeram um emparelhamento entre maquina pública e empresas privadas, venderam ideologias em busca de uma suposta governabilidade, leiloaram direitos LGBT's, para a bancada evangélica, iniciaram a manutenção do direitos trabalhistas (que hoje fazem oposição para a continuação) e se debruçaram sobre uma reforma da previdência, mesmo hoje se dizendo contra ela. É possível criar um texto com todas as críticas ao PT, mas o intuito desse é mostrar o cenário desesperador que nos espera em 2018. Tudo isso colocado, Lula ainda é uma via contra o total retrocesso social e a garantia mínima dos direitos aos que mais precisam.

João Doria (PSDB) parece ser, junto com Jair Bolsonaro, uma grande opção contra os avanços de mais um governo petista. Ele simboliza tudo aquilo que o brasileiro sonha na figura de um ''empresário bem sucedido". Nele, o PSDB deposita grandes fichas e tem enormes motivos para isso, sua força vem sendo demonstrada em suas ações publicitárias na prefeitura da cidade de São Paulo, ganhando cada vez mais audiência da sociedade e tendo suas ações, mesmo as mais desumanizadoras, apoiadas por uma população e uma mídia que não sabe discernir estado de revanchismo, sendo esse segundo um sentimento inerente ao seres humanos. Além disso, o PSDB possui um bom tempo de propaganda na televisão, tendo em vista sua base no congresso. Isso já é o suficiente para martelar as várias ações positivas que Dória realizou administrando São Paulo, assim como suficiente para atacar politicamente adversário com menor tempo de TV, como Jair Bolsonaro e Marina Silva, destruindo suas chances de se tornarem ameaças reais ao segundo turno.

O PSOL, segundo o jornal OGlobo, promete lançar Marcelo Freixo (PSOL/RJ) para o congresso nacional. Essa parece ser a grande aposta do partido, conseguir mais cadeiras no legislativo para barrar os cerceamentos que estão sendo legislados no Congresso Nacional. Luciana Genro , Ivan Valente, Jean Wyllys, Luiza Erundina, Chico Alencar, Edmilson Rodrigues e Glauber Braga parecem ser as grandes apostas para o legislativo em 2018, resta saber quem vai disputar a presidência da república pelo partido. Ambos fariam um papel inenarrável dentro do congresso, mas são peças fundamentais para a desconstrução de falácias e falso moralismo por parte dos candidatos que não possuem coragem de se comprometer com pautas polêmicas, como por exemplo descriminalização do aborto, criminalização da Homolesbobistransfobia, casamento homoafetivo, maioridade penal, descriminalização da maconha, taxação de grandes fortunas, reforma da previdência e reforma trabalhistas. Todos esses temas tendem a ser silenciados, com o receio de perderem votos e com o intuito de fomentar o debate em torno da economia, saúde e segurança, temas famigerados e ignorados pós eleições.

Todo esse cenário mostra o mais do mesmo da politica brasileira. Nossa crise politica parece que irá perdurar por um bom tempo, pois estamos tentando, ainda que seletivamente em alguns casos, balançar as arvores para permitir que as maças podres caiam. Dentro desse balanço de arvores, existe os interesses das grandes corporações que tornam o Brasil um plutocracia que rege nossa república bem antes da ditadura militar. #Eleições 2018