Desembarquei. Dentro de mim fluía um mix de altas expectativas, pois dentre todas as cidades brasileiras, o #Rio de Janeiro era a que mais me encantava. Duas amigas me aguardavam no aeroporto e após cumprimentos e abraços já pude notar a tensão no aeroporto ao tentar cogitar se íamos de UBER ou táxi. Percebi não poder expressar livremente tal opção, pois a saída tomada por taxistas poderia não gostar muito da ideia e daí já viu.

Pois, fomos de táxi mesmo, intriguei-me com os tapumes, se é assim que se chama, ao redor das vias, se não me engano estava no momento na Linha Amarela. Questionada, a minha anfitriã então me explicou que atrás daqueles(as) tapumes/barricadas encontravam-se as favelas e que toda a cidade do Rio de Janeiro era cercada por elas.

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Já senti uma leve lembrança dos noticiários vistos na Bahia, único meio viável de se entender como era a situação carioca. Conversa vai, conversa vem, chegamos a um ponto ao qual o taxista se negou em continuar. Aí vi-me de fato no Rio. Para agilizar nossa chegada seria necessário passar por uma favela. Minha anfitriã logo convenceu o taxista, sendo que a mesma possuía comércio na localidade há algum tempo e não haveria problema do taxista percorrer por ali. Já imaginem daí que esta foi a hora que eu tremi na base, fui aconselhado a não encarar caso encontrasse alguém armado, o que pra mim era incomum. Passamos sem encontrar e chegamos no nosso destino, digamos tranquilamente, apesar de receoso ao extremo.

Não sei os demais, porém aficionado por Copacabana, no 2° dia a quis conhecer, analisei todos os criteriosos cuidados ofertados por meus anfitriões, percebi que, das duas, uma: ou ficaria trancado por todo o tempo ou me aventuraria a sair.

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Enfim, fui de ônibus. D cara, tive a infelicidade de me deparar com uma baderna de menores logo na minha primeira aventura sozinho no Rio, olha que já fazem 5 meses que estou aqui e somente nessa primeira vez que houve problema no ônibus. Tanto na ida como na volta. Fosse outro, traumatizava. Um grupo de uns cinco jovens que deviam ter seus 13 a 17,18 anos pularam a catraca e no fundo do ônibus fizeram a maior arruaça. O motorista, em resposta, pisou fundo, ou seja, ônibus lotado, sobrou pra todos as manobras em alta velocidade do motorista injuriado com os ditos cujo.

Lá estava eu, vislumbrado com o calçadão de Copacabana, em pleno verão, fervilhando de turistas e calor. Passeei de cabo a rabo. Mais tarde, duas informações com policiais e já encontrei o ponto para assim retornar para casa e mais outro bando arruaceiro, que desta vez tentou agredir o motorista, o que não fez após ser impedido pelos passageiros para assim se evitar um acidente, impedido mesmo, pois o "de menor" já havia pulado a catraca e foi seguro por outros em cima do motorista.

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O motorista havia parado em uma viatura e dois amigos do dito cujo foram obrigados a descer, por isso a fúria do elemento.

Enfim, fui conhecer a favela, a princípio acompanhado, pois não seria sensato ir sozinho, como dito, já se passaram 5 meses que moro aqui e vejo como é triste ver e conviver diariamente com notícias sobre a #Violência no Rio de Janeiro. Esse tempo fez com que eu me acostumasse a ver homens empunhando fuzis, metralhadoras, todo o tipo de armamento.

Recentemente, foi veiculado pela imprensa casos de assalto na trilha do Cristo Redentor, um dos principais pontos turísticos, bem como o caso do bebê que foi vítima de bala perdida ainda no ventre da mãe e isto faz com que a Cidade Maravilhosa tenha seus encantos manchados pelo descaso que se encontra a administração pública no quesito #Segurança. As UPP´s (Unidades de Policia Pacificadora) se resumem a cabines com policiais com pouco armamento cercado por facções altamente bem armadas. A princípio eu não entendia o porquê de a população sempre protestar pela retirada das UPP`s. Dentro de favela dominada pelo tráfico impera o "respeito" ao cidadão. Você não corre o risco de ser assaltado, você tem seus bens preservados, a "lei" é respeitada. Parece incoerente, mas é a realidade que impera nas comunidades. Você corre risco durante todo o tempo quando está sob proteção do Estado, pois até o bandido ao ser preso tenta reverter a culpa para quem o prendeu, já nas comunidades impera a voz dos traficantes. Se roubar, paga-se até com a vida e assim a criminalidade no quesito furto e roubo vai a zero. Nisso, os moradores trocam a visão poluída de homens armados e o tráfico por liberdade de ostentarem seus celulares a qualquer momento do dia ou noite sem correr o risco de o perder. Deixam seus bens ao deus dará sabendo que ninguém cometerá o infortúnio de afanar. Então, tentar remediar com policiamento fraco, onde somente marginaliza ainda mais quem vive em uma determinada localidade, nunca será o ideal de conviver socialmente bem.

Não estou fazendo apologia a permanência do tráfico em qualquer comunidade, mas levando o ponto de vista da realidade que é viver no Rio de Janeiro, o retrato da corrupção em todo o Brasil é latente aqui no Rio de Janeiro, mesmo com o funcionamento de todas as engrenagens que mantém a Cidade Maravilhosa em funcionamento. Enquanto não houver eficiência e eficácia no combate à criminalidade, nada mudará, continuará a se aglomerar bandidos em territórios abandonados, pois mais fácil é abandonar e marginalizar bandidos que eficazmente armados a qualquer momento descerá ao asfalto e tomará aos tiros o direito de qualquer cidadão que pensa estar sob proteção do Estado. Creio não ser necessário expor aqui exemplos disso.