Não explicitar a gravidade do processo de divisão internacional do trabalho que no planeta separa os países que compram, daqueles que vendem; que separa os países que vendem para muitos, daqueles que vendem para um só; e, ainda, que divide as regiões no planeta que produzem produtos de alto valor, daquelas que são limitadas a produzir produtos primários; enfim, não seria preciso esclarecer que no planeta há linhas invisíveis que separam os países ricos dos pobres.

Nessa divisão, a #América Latina e o Caribe, há mais de quinhentos anos, são tratados como periferia. Existe um ditado latino que representa bem isso: “El Pueblo que compra, manda.

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El Pueblo que vende, sirve. El Pueblo que quiere morir, vende a um solo pueblo, y el que quiere salvarse, vende a más de uno”.

Tendo em vista que nós, latino-americanos, secularmente estamos no mesmo barco, não é de se espantar que os acontecimentos que permeiam os países vizinhos repercutem no Brasil, e vice-versa. Às vezes com maior intensidade, às vezes com menos, mas sempre se fez presente essa inter-relação.

Enquanto milhões de indígenas foram, na região hoje compreendida como México, Argentina, Venezuela, subjugados ao quinhão mais cruel de um novo padrão de poder trazido pelas velhas madeiras das caravelas europeias e caíram aos milhares sob a progressão da hecatombe, aqui no Brasil aconteceu um processo semelhante. Enquanto todo o continente latino-americano foi transformado numa colônia para servir às mesquinharias do mercado europeu, o mesmo aconteceu em nosso país.

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Enquanto muitos países latinos tiveram a sua frágil democracia derrocada e se tornaram ditaduras, novamente aqui vimos um processo semelhante. São inúmeros os exemplos ao longo do processo histórico.

O que me causa estranheza é o fato de existir essa “convergência latino-americana”, mas nós brasileiros nos comportarmos como uma grande ilha. Na atual conjuntura estamos passando por um processo semelhante ao que ocorreu em Honduras (2009) e no Paraguai (2012). Falo do #Golpe parlamentar que depôs o presidente Manuel Zelaya no primeiro e, no segundo, o Fernando Lugo. Em nosso país, respeitando as proporções, pode-se dizer que vimos um processo semelhante com Dilma Rousseff. Porém, foram poucos os analistas, ativistas, cientistas sociais e políticos que abriram os olhos para além das nossas fronteiras com o intuito de analisar o que nos acontecia através de comparações supranacionais.

Assim, o Brasil se comporta como uma grande ilha. Se me perguntares as origens para termos esse comportamento analítico tão voltado a nós mesmos, direi: não sei! De fato, não sei o porquê, mas sei que é interessante revermos esses pressupostos. A América Latina é um continente que se move de forma sempre sincrônica, apesar de sua enorme heterogeneidade interna. Creio ser importante, então, começarmos a olhar com maior atenção para o que acontece aos nossos vizinhos, de modo a melhor compreendermos o que acontece e o que acontecerá conosco. #Dilma Rousseff