Você sabe o que é democracia? Onde ela começou? Será que existe algum ponto em comum entre a democracia grega e a democracia brasileira? O que pensam os filósofos sobre esse termo? Qual a vantagem da democracia em relação aos outros sistemas de governo? Qual é o maior erro da democracia? Vamos conversar um pouco sobre isso?

A palavra democracia tem origem no grego demokratía que é composta por demos (que significa povo) e kratos (que significa poder). Democracia, portanto, significa “poder do povo". Neste sistema político, o poder é exercido pelo povo através do sufrágio universal. E nesse sentido, o maior erro da democracia é pensar que a maioria sempre vence.

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Nem sempre a maioria está certa. Existe a dominação ideológica. Isto é, muitas pessoas podem ser coagidas a votar em determinando partido ou candidato pelo poder econômico que exercem sobre o eleitor.

A Grécia Antiga foi o berço da democracia, onde principalmente em Atenas o governo era exercido por todos os homens livres. Naquela época, os indivíduos eram eleitos ou eram feitos sorteios para os diferentes cargos. Por outro lado, a natureza da democracia ateniense tinha muito haver com o fato de Atenas ser relativamente pequena, como todas as cidades-estados da época.

De acordo com Aristóteles (384-322 a.C), “é necessário que o número de cidadãos seja tal que eles conheçam as qualidades pessoas uns dos outros e, assim, possam eleger suas autoridades e julgar sensatamente o próximo em um tribunal”.

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Por outro lado, as democracias contemporâneas, inclusive as pequenas, têm populações tão grandes em comparação com a da Atenas clássica que o ideal aristotélico de conhecimento social mútuo é impossível.

Na democracia ateniense, existiam assembleias populares, onde eram apresentadas propostas, sendo que os cidadãos livres podiam votar. Desse modo, a democracia é um regime de governo em que todas as importantes decisões políticas estão com o povo, que elegem seus representantes por meio do voto. No entanto, mulheres, escravos, e imigrantes, a maioria, não faziam parte da democracia ateniense.

Platão (427-347 a.C), que tinha uma visão hostil à democracia, afirmava que ela não é melhor do que a oclocracia, ou seja, o governo da plebe. Ter dado o governo aos ignorantes e à plebe guiada por seus próprios interesses, dizia o filósofo, foi o que arruinou Atenas e, de qualquer maneira, era irracional, pois o estado deveria ser administrado pelos mais inteligentes e capazes (os filósofos), o que significava adotar a aristocracia, “o governo dos melhores”.

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Para Norberto Bobbio (1992-2004), as democracias desenvolvidas no mundo ocidental alcançaram, de forma inteligente, uma aparente contradição: dar às pessoas o controle supremo do governo por meio de sistemas de eleições democráticas e evitar resultados oclocráticos. Contudo, requer dois complementos poderosos para funcionar: uma imprensa livre e um estado de direito administrativo por um sistema judiciário independente. Idealmente, também exigirá um eleitorado instruído e reflexivo, mas, até agora, esse tem sido um ponto fora da curva, o que justifica, em muitos países, a perpetuação de grupos políticos no poder por anos e décadas afins.

Em suma, a democracia está longe de ser um sistema perfeito, mas é, por uma grande margem, o sistema menos imperfeito, aquele que tem a maior chance de proporcionar justiça social e de ser reativo à maioria das necessidades e interesses caraterísticos das sociedades modernas avançadas. Ela dá a todo adulto um papel, impõe restrições às ações dos governos e permite mudanças pacificas no processo político. Enfim, sem democracia seriamos robôs! E viva a democracia! #Sufrágio Universal #Justiça Social