Não é novidade pra ninguém que, no Brasil, os discursos presentes nos documentos oficiais que tratam da educação, sobretudo da Educação Básica, dentre eles a Constituição Federal (1988), o Estatuto da #criança e do Adolescente (1990), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996) e suas alterações, Indicadores da Qualidade na #educação infantil (2009), as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2010), as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (2013), dentre outros de amplitude estadual ou municipal, pouco reverberam em ações que, de fato, cumpram as pretensões de suas formulações.

No caso das creches públicas, os gargalos se encontram em diferentes dimensões e colocam em questão a orientação de atender com qualidade as crianças de 0 a 3 anos [VIDEO]que fazem uso destes equipamentos.

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Confira agora alguns problemas graves presentes no cotidiano das creches públicas brasileiras:

- Elevado número de crianças por sala que causa sobrecarga para o #professor e para o auxiliar. Em alguns municípios, o número de crianças de 2 e 3 anos por sala chega ao absurdo de 25 para cada professor sem ter uma pessoa de apoio. Este problema é grave, pois, além de inviabilizar um atendimento de qualidade, põe em risco a integridade física dos pequenos e expõe o profissional a uma situação de esgotamento físico e emocional;

- A infraestrutura das creches, em muitos casos, não oferece espaço adequado para a prevenção de acidentes e que seja agradável para o convívio das crianças e profissionais;

- Há deficiência no repasse dos recursos públicos que prejudica o trabalho pedagógico desenvolvido em sala, devido à falta de materiais diversos.

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Tal situação obriga os profissionais a tirarem dinheiro do próprio bolso para custear os recursos, se quiserem desenvolver as atividades previstas no planejamento das aulas;

- Existe incompreensão ou falta de clareza dos familiares com relação ao papel do professor de creche. É comum os pais atribuírem ao professor responsabilidades que devem ser assumidas por eles;

- As creches têm pouca autonomia financeira. Geralmente, o repasse dos recursos está vinculado a uma escola patrimonial. Tal situação faz com que haja morosidade nos processos:

- Os professores de creches em comparação com os de outras etapas da Educação Básica têm seus direitos desrespeitados com mais frequência. Se tomarmos como referência, por exemplo, o terço da carga horária que deve ser destinado ao planejamento das atividades que foi garantido pela Lei do Piso, constata-se que os professores de creche são os que menos têm estes direitos respeitados ou são os últimos a serem contemplados em seus municípios;

- Muitos professores ainda não conseguiram avançar na compreensão sobre o cuidar e o educar no espaço da creche, tampouco sobre a visão de criança como ser integral, autônomo e que têm direitos de aprendizagem a serem garantidos por quem os atende.

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Há, portanto, necessidade de processos contínuos de formação garantidos pelos gestores e prática de estudo por parte destes profissionais.

Estes são alguns dos mais gritantes, mas se procurar, infelizmente, ainda dá pra achar outros. No Brasil, a verdade é que a educação de crianças, desde as bem pequenas, precisa da materialização de simples palavras: valorização e comprometimento.