O Canadá é um dos melhores lugares para estudarmos as questões de gênero e os avanços para a cidadania de pessoas "Transgêneras". A última noticia foi republicada e aplaudida por todo o mundo. O que não sabemos dizer é como será daqui para frente.

A notícia que agradou a todos revelou que o sexo de uma criança foi definido como “U” em sua certidão de nascimento.

Para muitos um avanço, uma nova possibilidade, tendo em vista que poder escolher a que gênero pertence, após a fase adulta, facilitaria na aceitação do individuo perante a sociedade.

Não sei quantas vezes pensei em como seria interessante se fossemos atraídos, contratados, aplaudidos pelo que somos sentimentalmente ou profissionalmente e não por sermos do sexo masculino ou feminino.

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Um passo importante para o desejo de não classificar o outro, de não ter que representar o que foi imposto.

Confesso que a felicidade me tomou ao ler a matéria que dizia existir a primeira criança com um cartão de saúde sem definição do sexo. Aplausos para a atitude, mas ao adentrar o mundo da saúde pensei nas pessoas que conheço e que são trans. Fui de encontro à realidade das garotas que usam silicone de avião para adequar o corpo, nos garotos que conseguem testosterona e tomam sem passar por uma análise médica por simplesmente não encontrar cidadania que lhes garantam saúde para suas realizações psicossociais.

A minha ficha caiu e me perguntei: quais garantias aquela criança terá por ter “U” como sexo biológico?

Lembrei do grupo de homens trans que faço parte, como intrusa. Caiu o queixo ao reler a necessidade de adequação daqueles homens.

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E não! Não é apenas uma imposição da sociedade, eles são homens e querem o corpo tão masculino quanto ao de um homem identificado como “M” ao nascer. E a corrida para a adequação é uma verdadeira batalha.

Repensei nesta criança “U” e quis saber quem vai garantir a paralisação dos hormônios femininos e o início do tratamento com a testosterona, caso eles apareçam e, na verdade, sejam meninos de alma. E se for o contrário?

Quis saber em quantas vezes essa criança será indagada: "Você é menino ou menina?"

Tenho ansiedade em descobrir quais garantias a criança terá ou se apenas estão descartando este ser, livrando a responsabilidade de políticas públicas para pessoas transgêneras através de um simples “U”.

Seria “U” de indefinido para sempre?

Indeferido para o pedido de correção do nome caso seja necessário? Ou devo esquecer tudo isso e apenas comemorar o feito do Canadá, torcendo para que chegue logo ao Brasil? #2017 #LGBT #Bebês