A série Billions, do canal estadunidense Showtime, também disponibilizada na Netflix, mostra os bastidores de Wall Street narrando a briga de gato e rato de Chuck Rhoades (Paul Giamatti) e Bobby Axelroad (Damian Lewis). Axelroad e Rhoades se enfrentam inúmeras vezes, principalmente porque o empresário se beneficia de diversas irregularidades para ganhar dinheiro, coisa que o advogado abomina.

É interessante observar no seriado como um pequeno grupo de investidores, subordinados por Axelroad, comanda no mundo das finanças um capital financeiro multibilionário e, através desse enorme recurso, promove modificações reais em grandes e pequenas empresas, cidades, estados, até países, definindo o amanhã de milhões de pessoas.

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Um exemplo real disso é o caso da “Quarta-Feira Negra”, que se refere ao dia 16 de setembro de 1992, quando George Soros, bilionário húngaro-americano dono de um fundo hedge, ganhou US$ 1 bilhão R$ 3,1 bilhões) vender a descoberto US$ 10 bilhões (R$ 31 bilhões) em libras esterlinas. O evento quebrou o banco central inglês e obrigou o Reino Unido a sair do Sistema Monetário Europeu. O acontecimento foi decisivo para o governo britânico rejeitar o euro como moeda nacional temendo especulação e crises financeiras.

Esse fato e a série mostram uma pequena fração da classe que hoje tem a maior parte – se não o todo – do controle do sistema capitalista: o grande capital financeiro. Na atualidade, estamos submetidos a um processo em que conglomerados financeiros, formados principalmente pelos bancos e pelas organizações com o nome de investidores institucionais, como as companhias de seguro, os fundos de aposentadoria por capitalização (os fundos de pensão), as sociedades financeiras de investimento financeiro coletivo (os fundos hedge), têm promovido mudanças em benefício próprio com consequências políticas, econômicas, culturais e sociais em todo o planeta.

A maior parte dos especialistas tem afirmado que o capital financeiro é a característica básica das novas dinâmicas do capitalismo contemporâneo.

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Diante disso, hoje se quisermos encontrar alguma coisa verdadeiramente peculiar (em oposição ao ‘capitalismo de sempre’), deveremos nos debruçar nos aspectos financeiros da organização capitalista e no papel do crédito.

Então, quem comanda o movimento de operações que se estende por todo o planeta e que forma o conjunto da acumulação são as instituições constitutivas de um capital financeiro que possuem fortes características rentáveis. Essas instituições determinam, por intermédio de operações que se efetuam nos mercados financeiros, tanto a fragmentação e repartição da receita, quanto o ritmo do processo de investimento ou o nível e as formas do emprego assalariado.

O capital financeiro está no volante da economia e tem realizado essas modificações para aumentar os seus lucros a níveis estratosféricos. Quando lucram, mantêm tudo para si, evidentemente. Quando sofrem prejuízos, socializam as perdas com a população, fazendo o povo pagar pelos erros dessa parcela que forma a 1% mais rica.

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O alçamento do capital financeiro faz parte do processo de consolidação do neoliberalismo, via principalmente a desregulamentação financeira, face importante do programa neoliberal, que se baseia no afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas a fim de favorecer a "livre iniciativa".

Essa medidas promoveram as condições muito mais propícias para a inversão especulativa do que produtiva, especialmente nos anos 1980, quando se viu uma verdadeira explosão dos mercados de câmbio internacionais, cujas transações acabaram por diminuir o comércio mundial de mercadorias reais.

Paulatinamente, o capital especulativo parasitário não só se sobrepôs ao capital produtivo e industrial, como este ao longo dos anos passa a ser subordinado, dominado e atua segundo a lógica especulativa. Essa mudança no sistema em que progressivamente o capital produtivo contamina-se com a especulação define a nova etapa do capitalismo, sendo nesse estágio caracterizado como "capitalismo avançado".

Por tudo isso, fala-se em uma nova configuração do capitalismo mundial e nos mecanismos que comandam seu desempenho e sua regulação, em que as transações financeiras estão no centro das negociações. Não é mais Henry Ford ou Carnegie quem personifica o novo capitalismo de fins do século 20 e início do 21, e sim o administrador anônimo (e que faz questão de permanecer anônimo) de um fundo com ativos financeiros multibilionários. #poder #capitalismo financeiro #Crise econômica