O que é se qualificar?

O termo qualificação se refere ao domínio de uma técnica após anos de treinamento, referentes à formação profissional e experiência de alguém, sugeridas para o exercício de um cargo.

A habilitação do trabalho no Brasil é um desafio a ser enfrentado por todos que desejam uma ascenção profissional, ou apenas "fugir" das problemáticas causadas pela falta dele.

A reforma trabalhista e a terceirização

A reforma trabalhista em pauta no cenário Brasileiro atual é um tema polêmico. Alguns defendem que representa a atualização e avanço nas relações entre patrões e empregado, enquanto outros a consideram um retrocesso que agride a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

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Com ela, também a Lei da #terceirização (lei nº 13.429) sancionada em março pelo presidente Michel Temer.

Mas como fica o processo de qualificação do trabalhador nesse meio?

Além de reduzirem seus custos com o pagamento do empregado, e a incerteza deste por conta da característica da terceirização de rotatividade, os investimentos em qualificação se tornam ainda menores.

Com isso, fica claro o modelo de organização do trabalho que se busca instaurar com a reforma.

Caracterizado-se pela adoção de vínculos de trabalho mais flexíveis (contratos terceirizados, temporários e intermitentes), pelos efeitos da carga de trabalho sobre o trabalhador; a redução dos custos de produção para a concentração do capital e o afastamento do Estado como moderador das relações de trabalho.

“A presença de um terceiro, no caso a empresa terceirizada, entre a empresa tomadora-contratante e o trabalhador, certamente gerará uma significativa redução de salários e benefícios e de investimentos em qualificação profissional e em saúde e segurança do trabalho, tendo em vista que ambas as empresas terão que obter lucro nessa relação trilateral, que só acontecerá à custa dos direitos dos trabalhadores terceirizados, fato que causará certamente o empobrecimento geral da classe trabalhadora e uma ainda maior concentração de renda no nosso país”, diz a nota, assinada pelo presidente da ANTP, Ângelo Fabiano Farias da Costa e pela vice-presidente Ana Cláudia Rodrigues Bandeira Monteiro.

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A flexibilização da produção começou agora?

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, com a implantação do modelo japonês de produção - o Toyotismo - também conhecido como acumulação flexível, sendo as relações de trabalho, com ele, também modificadas.

Com a necessidade da flexibilização da produção, foi instaurada a automação, nas atividades executadas anteriormente pelo trabalhador de forma mecânica (no sistema fordista), o substituindo.

Assim, servindo para aumentar o emprego no setor secundário (indústria) e "transferir" para o setor terciário (serviços), exigindo, desde então, o processo de qualificação.

Dessa forma, uma das técnicas mais utilizadas por esse modelo industrial foi o Just in time ( “em cima da hora”). Modelo esse que funciona pela combinação entre o fornecimento de matérias-primas, produção e venda. Utilizando-as de acordo com a demanda, que deve ser realizada em um prazo já estabelecido, geralmente muito curto.

Com a adoção desse modelo, fábricas passaram a economizar dinheiro e espaço na estocagem, agilizando a produção e a circulação.

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Assim, o toyotismo, pode ser considerado como o sistema responsável pela terciarização da economia, fortalescendo suas características até hoje, principalmente diante das medidas atualmente tomadas.

A culpa, quem assume? O empregador? O Estado?

O aumento do desemprego deve-se, em parte, à necessidade de reduzir custos e aumentar a competitividade na recorrente economia aberta e globalizada, adotando uma reestruturação tecnológica e novas formas de organização do trabalho.

O trabalhador, ao assumir a culpa do desemprego e de sua não qualificação, responde às expectativas do empregador que reforça esse comportamento, pois assim, se exime da responsabilidade do sistema falho de distribuição de riquezas e forma de organização da produção.

Segundo o filósofo austro-francês André Gorz (1987), os trabalhadores que jamais exercem de forma regular, realizam estudos para os quais não há mercado, nem utilidade prática possível. Ou seja, se tornam vítimas de uma mercantilização escolar, principalmente por ser desprovido de senso crítico e sem qualquer orientação.

Assim, o termo qualificação não está a serviço do trabalhador, e sim de uma ideologia, sendo em sua função apenas servir para justificar, não somente a exclusão, como lugar ocupado por cada um na sociedade, segundo Marilena Chauí, que fala sobre o conformismo e resistência na sociedade brasileira.

"Julgam-se com o olhar daqueles que os julgam, olhar esse que adotam, que os vê como culpados, e que os faz, em seguida, perguntar que incapacidade, que aptidão para o fracasso, que má vontade, que erros puderam levá-los a essa situação", explica Viviane Forrester, em sua obra 'O Horror Econômico', nos explicando a forma como governo nos faz acreditar que somos culpados, simplesmente para justificar suas medidas.

Os sujeitos e os aspéctos psicológicos

O um dos filófoso mais importantes da mordenidade, Zygmunt Bauman, publicou em sua obra 'Modernidade e ambivalência', suas pesquisas e obsrvação sobre a forma como as mudanças afetam a sua saúde mental. Os sujeitos no papel de consumidores não visam o acúmulo de riquezas, mas a vivência de prazeres e novas sensações a cada novo consumo, disse Bauman.

Com isso, a impotência diante de seu trabalho atua juntamente à onipotência diante dos prazeres da vida.Causando sentimento de vergonha e exagero diante do consumo e das sensações.

Esses prazeres, ao serem tomados pelo mercado consumidor, por intermédio da indústria cultural, tornam o sujeito trabalhador, também um sujeito consumidor.

A mercantilização da vida, subsequente desses desafios, reafirma que o modo de vida das sociedades foi modificado, e com ele o processo de "reificação" (processo histórico inerente às sociedades capitalistas, caracterizado por uma transformação experimentada pela atividade produtiva, pelas relações sociais e pela própria subjetividade humana, sujeitadas e identificadas cada vez mais ao caráter inanimado, quantitativo e automático dos objetos ou mercadorias circulantes no mercado.)

A divisão social do trabalho atrelada à mecanização dos meios de produção modifica desde as formas mais elementares de produção até a indústria moderna em processos racionalmente operacionais, subdivididos e parciais. A racionalidade produtiva do capitalismo avançado promove a eliminação das propriedades qualitativas dos homens e destrói a mediação entre o trabalhador e o produto de seu próprio trabalho. Promove a perda da totalidade presente no objeto produzido, reduzindo o trabalho a um exercício mecânico repetitivo.

Com a moderna decomposição “psicológica” do processo de trabalho (sistema de Taylor), esta mecanização racional penetra até a “alma” do trabalhador: até as suas propriedades psicológicas são separadas do conjunto de sua personalidade e objectivadas em relação a esta para poderem ser integradas em sistemas racionais especiais e reduzidas ao conceito calculador, conforme explica o intelectual húngaro György Lukács.

Em resumo

Conclui-se que a qualificação do trabalho brasileiro tem em seu caminho diversos obstáculos. Esses, agravados pela escassez de investimentos e incentivo em educação básica e principalmente de nível superior pelo governo, que acabam resultando no aumento do trabalho informal, desemprego e outros agravantes acima supracitados que são sustentados também pelas medidas em pauta no governo atual.

Além disso, que o trabalhador tem pouca clareza sobre as variáveis dessa reestruturação produtiva.

Caracterizada pela busca de maior produtividade, por meio da consolidação de novas tecnologias, intensificação do ritmo de trabalho, redução do ciclo de produção, polivalência do trabalhador e dentre outras.

O grau de aprendizado do trabalhador não é a causa de seu desemprego, mas sim utilizado ideologicamente pelo Estado para legitimar a condição de cada um. #reformatrabalhista #Política