No sistema capitalista, os laços são tão frágeis, estão sempre tão ameaçados de desintegração, que não raro o único movimento de resistência que conseguimos realizar é projetar no outro todos os nossos anseios por mudança; ao invés de nós mesmos sermos, coletivamente, os sujeitos dessa transformação social.

Isso parece ter ocorrido com pessoas inteligentes como Jean-Paul Sartre e Jorge Amado, que apoiaram durante anos Josef Stalin, apesar de terem conhecimento dos massacres perpetrados por esse ditador. E parece acontecer com parte da esquerda atual, principalmente a ex-governista, que projeta uma adoração quase cega na figura do ex-presidente Luiz Inácio #Lula da Silva como aquele que nos salvará nas eleições de 2018 das garras das estruturas oligárquico-plutocráticas que colonizaram a esfera política.

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Parece acontecer também com a galera que num passado recente se manifestou de verde amarelo e que concebe o juiz Sérgio Moro também como um paladino que nos “livrará do mal”. Qualquer um que ouse mostrar os “podres” dessas vacas sagradas leva pedrada. Ocorre também com parte da direita neoliberal que deposita as suas intenções de voto no possível candidato do PSDB João Dória. E os malucos também fazem o mesmo, afirmando a sua confiança em Jair Bolsonaro.

Os recentes escândalos envolvendo Lula abalroou a imagem do ex-presidente e jogou sobre o PT a lama dos demais. Diante disso, muita gente se deixa abater e expressa derrotismo. O que mostra como essa tradição fortemente personalista na política brasileira é imobilizante. O ultraindividualismo, além de nos separar, parece impedir que tenhamos consciência do nosso poder coletivo capaz de promover mudanças em larga escala.

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Consequentemente, esperamos que as mudanças venham de cima para baixo.

Creio que precisamos ter clareza que é possível sim construir de baixo para cima uma resposta a essa situação. Podemos superar as imagens carismáticas, como a de Lula, apostando em arranjos mais impessoais que não dependam de líderes.

Hoje o grau de insatisfação com o sistema político-institucional é extremamente elevado. Essa energia será destituinte se soubermos lhe dar plasticidade. Lançar mão dela unicamente para a eleição de raposas de casaca é, assim, um grande desperdício. Não podemos nos conformar com nuvens de adoração. É preciso ir à luta, coletivamente, pois juntos encontraremos respostas para transcender a crise política, econômica, social, moral que tanto nos agride. É, portanto, possível sim erguer de baixo para cima uma nova sociedade. #CrisePolítica #Sergio Moro