Em abril do ano passado, chegou as bancas a edição nº 2417 da Revista IstoÉ, que trazia na capa a imagem da ex-presidenta #Dilma Rousseff, com a seguinte chamada: “As Explosões Nervosas da Presidente”. A reportagem violou princípios básicos do #Jornalismo, dentre eles verdade, verificação, responsabilidade e ser consciente. É de extrema importância lembrar que o compromisso do jornalista é em primeiro lugar com os leitores.

As violações começaram logo na capa, que exibia o “descontrole” de Dilma. No entanto, a imagem era referente à Copa de 2014, originada no momento exato da comemoração de um gol da Seleção. Seguida de título e subtítulo agressivos que induzem o leitor, os mesmos contavam com afirmações falsas, irresponsáveis e incoerentes.

Publicidade
Publicidade

A verdade é vista de diferentes formas, por isso é necessário que se verifique vários lados para que as informações sejam precisas, o que não acontece nesse caso. No texto é possível perceber que o assunto se perde em meio a tanta informação, isso acaba deixando o leitor confuso e desorientado. Não é fácil distinguir o que é informação e o que é opinião.

Ao longo da matéria são encontrados vários relatos de que a ex-presidenta está sendo medicada para evitar explosões nervosas, porém, não há nenhum depoimento médico referente ao assunto, se tornando uma informação insustentável. Se a informação tivesse sido apurada não seria contestada.

Para deixar o leitor ainda mais confuso, a revista indicou que a Aeronáutica enviou uma carta a Dilma pedindo que ela não formulasse tantas perguntas sobre trajetos e condições climáticas nem adentrasse repentinamente às cabines para não tirar a concentração dos pilotos.

Publicidade

Através de pesquisa a informação pode ser contestada, pois a carta não existe. Supostas exigências e surtos da ex-presidenta também são fatos inverídicos, uma vez que não ocorreram.

Os erros não param

Os autores da matéria faltaram com responsabilidade ao divulgarem esse conteúdo. Os erros começam pela forma de tratamento usada, Dilma pediu para ser chamada de presidenta, nomenclatura correta de acordo com especialistas da língua portuguesa, os mesmos ignoraram esse pedido, divulgaram informações falsas e violaram princípios básicos do jornalismo. Ambos responderam legalmente pelo ocorrido e a revista teve de conceder o mesmo destaque, espaço, diagramação e publicidade para a resposta de Dilma.

O jornalista precisa ter um sentido pessoal de ética, consciência e responsabilidade, ele é responsável por transmitir a notícia de forma que o leitor compreenda. A busca por exatidão, equidade e verdade nunca acaba. O jornalista é o responsável por essa busca, é dever dele zelar pela integridade da matéria que será publicada e em caso de erro, responder sem êxito pelo mesmo. #JornalismoIntegro