Com sua poderosa frota de 6 milhões de veículos apertados nas ruas, terrivelmente conservadas, de São Paulo vale uma pergunta: ainda vale apena ter um carro? Pagar todos os impostos em dia, combustível, que agora teve aumento, fora as manutenções e seguro. Afinal, ninguém quer se arriscar a ter carro roubado e ficar na mão e um desafio em tempos de crise.

Desafio que 6 milhões de motoristas preferem a se arriscar no transporte coletivo. A resposta é uma só. Sim, ainda vale mais apena arcar com esse custo. Se você puder, é melhor do que gastar R$ 3,80 em um ônibus. Dúvida? Veja o sucesso dos aplicativos como o Uber, que cobram um preço camarada, maior que R$ 3,80, e veja como as pessoas estão dispostas a pagar pelo serviço que gastar menos indo de ônibus.

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Um dos grandes motivos das pessoas terem essa rejeição ao transporte público é simples. A palavra-chave é civilidade, ou se preferir, pode chamar de cidadania ou a falta delas.

Abaixo estão separados alguns motivos que fazem qualquer um preferir um carro ao ônibus e que não têm a ver com entradas USB para carregar celular e ar-condicionado.

1 - Pessoas falam gritando

Quem nunca participou de uma conversa que não estava interessado indiretamente, mas teve que ouvir porque não existem bom senso no tom de voz e a pessoa não tem o menor bom senso de saber que os outros não querem saber da vida dela.

2 - Todos gostam da minha música

Você acorda cedo para ir trabalhar, está sem muito humor e nem vontade de curtir aquele maravilhoso funk, sertanejo ou qualquer outro som que seu colega do lado resolve colocar no último volume para você e para todo mundo ouvir.

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Afinal, quem não gosta do mesmo estilo que música que ele? Vamos todos dançar. Só que não!

3 - Motorista que ignora o sinal de parada

Você dá o sinal para que ônibus pare, mas ele segue viagem e você começa a gritar: "Motorista vou descer!". Depois do segundo ou terceiro grito, alguém lhe ajuda gritando: "Oohhh, motorista, vai descer". Quando, finalmente, você desce do ônibus, já se passou muito do seu ponto e só lhe sobra raiva e uma longa caminhada. Geralmente isso acontece quando motorista, que deveria prestar atenção no que está fazendo, está em uma conversa com alguém.

4 - Falta desodorante no mercado?

Feder todo mundo vai. Seja em vida ou seja em morte, mas não precisa fender tanto em vida que pareça que já está em estado de decomposição. Todo mundo já acordou atrasado e não deu tempo daquele banho caprichado antes do trabalho, acontece. Ninguém merece aguentar uma pessoa que levanta o braço e derruba cinco urubus em pleno voo. Há desodorantes de vários tamanho para se carregar na bolsa.

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Por favor, uma borrifado ou talvez cinco já ajuda.

5 - Sardinha humana

Quem não conhece essa tática de sobrevivência na Grande São Paulo. Se for possível por gente no teto, o motorista vai pedir um "passinho para o fundo, por favor". Levar um pisão no pé, cotovelada na cara, encoxada e tudo o que vier é lucro. O que importa é estar dentro. E não, não vai melhorar no próximo, pois ele vai estar mais cheio que o último e vai demorar o dobro do tempo pra passar.

6 - O furto

Quem nunca sofreu ou viu alguém que perdeu o celular ou a carteira em questão de segundos enquanto estava mais espremido que laranja, sem poder nem respirar. Acontece.

7 - O barraco

Esse faz parte do processo de pegar ônibus. Sempre vai ter alguém mais irritado que você que vai lhe xingar, e você vai xingar de volta. Pronto, a receita do barraco. Quase que como uma reação em cadeia programada. Você xinga uma pessoa que lhe ofendeu, que se xinga de volta. Daqui a pouco, junta mais umas cinco e o barraco vira coletivo. Melhor que assistir ‘’Casos de Família’’, do SBT.

8 - Os ambulantes

Não importa o horário e não importa a linha, pelo menos duas vezes durante sua viagem você vai ser abordado com todo tipo de coisa, que é, literalmente, jogada no seu colo para que compre. De chocolates a capinhas de celular.

Bom, eu acho que já temos motivos suficientes para entender porque a frota de veículos nunca vai diminuir e só aumentar a cada ano em São Paulo. Autoescola é algo que nunca vai dar prejuízo, pode ter certeza.

Claro, nem todos tem condições financeiras de ter um carro como acontece em outros países. Por isso, o ônibus é uma opção e não digo que ela tenha que acabar, mas é muito utópico acreditar que quem possui um carro vai aceitar andar cinco casas para trás e pegar ônibus de novo.

Melhorar o transporte público é algo que beneficiaria a população mais pobre que não tem outra opção de locomoção. Faixas exclusivas e linhas 24h foram um ganho e tanto, mas tem muito que melhorar na educação das pessoas. Não adianta um transporte que, como o nome diz, é coletivo, ter Wi-Fi, ar-condicionado e tomada USB se as pessoas que o utilizarão continuarem a serem tão incivilizadas e sem o menor senso de cidadania.

Pode até ser uma visão individualista, pois o carro também tem seus problemas, mas mil vezes as pessoas têm preferido pagar os impostos, combustível a encarar essa rotina diariamente.

Voltando a pergunta de cima: ainda vale apena ter um carro? Seis milhões de motoristas dizem que "sim!" #Carros #qualidade de vida #Transporte publico