Em um momento de turbulência política no país, muitos falam na eleição de um presidente por voto indireto, caso Michel Temer não suporte as denúncias de corrupção e sofra um impeachment.

Para personalidades políticas e grande parte da imprensa, o chamado perfil técnico talvez seja a melhor saída para um país que teria o segundo mandatário impedido em pouco mais de um ano. Muito se fala no ministro da fazendo Henrique Meirelles, que teria força política e credibilidade diante do mercado financeiro para tocar as reformas trabalhista e da previdência.

O último presidente eleito de forma indireta no Brasil

O último presidente eleito de forma indireta no país foi o mineiro #Tancredo Neves.

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Após o enfraquecimento da ditadura civil-militar no país, o desejo de grande parte da população era as eleições diretas. Milhões de pessoas foram às ruas em apoio a emenda Dante de Oliveira, que possibilitaria que o povo escolhesse seu presidente já em 1985. Apesar dos milhões nas ruas com esperança de voltar a escolher seu presidente, a emenda acabou sendo derrotada no Congresso Nacional. Restou ao país a eleição indireta. Com o regime cada vez mais enfraquecido por conta da piora econômica do país, era necessário terminar de fazer a transição para a democracia. A saída foi eleições indiretas, em que o presidente seria escolhido por um colégio eleitoral composto por 686 membros.

Militares não queriam Paulo Maluf

Mesmo tendo maioria no colégio eleitoral, o PDS, partido que dava apoio ao último presidente militar, João Batista Figueiredo, não apoiou em sua totalidade a escolha de Paulo Maluf como candidato da coalizão.

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Ao ver que o ex-governador de São Paulo não iria recuar de sua candidatura, o PDS fechou apoio a Tancredo, mas com uma condição: que #José Sarney fosse escolhido como vice. A chapa da Aliança Democrática venceu a disputa por 480 x 180 e Sarney, com a morte de Tancredo dias depois de tomar posse, passou de um "vide decorativo" para o primeiro presidente brasileiro pós ditadura.

Construtor de pontes

Para Plínio Fraga, Tancredo era um "construtor de pontes" e por isso conseguia transitar com facilidade entre emedebistas (contrários aos militares) e arenistas (favoráveis) mesmo sendo um amigo de JK e ter se posicionado contra o golpe que derrubou o presidente João Goulart. "Quando perguntavam pra ele porque os militares não haviam cassado os seus direitos políticos, ele dizia: ' não sei responder, mas se tivessem cassado, também não saberia'", disse Fraga

#Ditadura Militar Brasil