Fiz a lição de casa. Passei em uma das melhores faculdades de #Jornalismo, fui aprovado em um programa de trainee de uma das melhores empresas de jornalismo na época em que me formei, e trabalhei com afinco esperando que em breve eu iria chegar em algum lugar.

De fato, cheguei. Na Justiça do Trabalho.

As condições insalubres que as empresas de comunicação oferecem aos trabalhadores podem até fazer com que elas tenham um balanço positivo no fim do mês, mas certamente não serão sustentáveis no longo prazo.

Parece que os barões da mídia estão demorando um pouco para perceber isso.

As únicas empresas minimamente respeitadas atualmente por tratarem seus profissionais de forma um pouco melhor que lixo são o portal G1 (apesar dos pesares das Organizações Globo e suas velhas práticas), e algumas poucas companhias focadas no trabalho televisivo.

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Jornalista ganhando menos que o piso é mais comum que vendedor ambulante em vagão de metrô. O coitado faz faculdade pra ganhar míseros R$ 2.500 por mês em uma empresa que não mereceria nem ter funcionários. E na medida que o #Desemprego aumenta fica cada vez mais óbvia a pressão feita no sentido de que "olha, pelo menos você tem um trabalho aqui enquanto as massas lá fora passam fome".

Típico argumento dos que são incapazes de encontrar um único ponto positivo na sua própria empresa.

As empresas de comunicação tradicionais, hoje em dia, são grandes merecedoras da nossa atitude inabalável que envolve a constituição de um advogado para tratar perante um juiz e testemunhas, da possibilidade de um acordo ridículo, após os advogados terem "esquecido" de levar as testemunhas na primeira audiência (o truque mais velho que existe no livro dos que a nada servem, a não ser para lamber as botas de seus patrões), para tratar daquele pagamento de horas extras.

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Que segundo eles nunca ocorreram, mesmo você ficando até 3 da madrugada em dia de plantão, e ainda daquele adicional noturno que virou lenda depois de um tempo, daquele acúmulo de função que ninguém nem se dá conta, ou daquela velha prática do freela fixo que acaba virando padrão, e que no longo prazo priva de ter direitos reconhecidos.

Enfim, diante do circo que é a mídia tradicional (que ainda controla boa parte dos sites de maior audiência do país), resta a cada jornalista fazer o seu papel e não agir como o cordial 'zé empresinha' que veste a camisa da empresa mesmo enquanto tem seus direitos esmagados por sapatos importados e sua auto-estima levada ao chão por condições insalubres e ridículas de trabalho.

Será esse aqui o futuro do jornalismo? A demolição dessas empresas falidas (em valorizar o funcionário e em breve financeiramente mesmo) e o surgimento de algo novo?

Mas aí de repente parece o Velho Oeste, como nesse clickbait aqui e ops, mais um não tão distante.

Não tenho bola de cristal, mas que sejam engolidos pela história quem nunca fez parte de protagonizá-la decentemente.

De preferência com sons de violinos ao fundo. #Crise