Há séculos pessoas se relacionam com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, mas só são reconhecidas como relação quando apresentam documentação, ou seja, as questões do coração precisam estar dentro da norma social para serem aceitas. Porém, nem todas as pessoas querem ser reconhecidas socialmente como trisal, muitas querem apenas viver suas emoções.

As chamadas relações poliamoristas, passaram a ter maior visibilidade na primeira Conferência Internacional sobre #poliamor, em 2005 na Alemanha. O Brasil conheceu seu primeiro caso conjugal, um #Casamento a três, registrado em cartório civil em 2012, no interior de São Paulo.

Dados de uma pesquisa brasileira indicam apenas 8 relações reconhecidas em cartório, no ano de 2016.

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Mas este perfil de relações são vivenciadas há muito mais tempo do que já foi midiatizado.

Em 1989, tive a oportunidade de conhecer uma família onde o genitor do total de 6 filhos se dividia entre duas casas, duas esposas que sabiam da existência uma da outra, de um lado dois filhos e de outro quatro. Em 98, um amigo também mantinha suas duas esposas em casa. Dois quartos eram suficientes para dividir os dias na residência, já que trabalhavam juntos.

Experiências:

O problema de relações livres ou poliamorosas, não aparenta ser o reconhecimento judicial. Conversando com duas pessoas que vivem esta condição, ou já tiveram experiência, ficou claro que seus medos não estão atrelados a um documento, mas sim como viver a relação sem julgamentos.

“Eu estava numa relação estável, ele casado. A cada dia conversávamos mais, e confesso, eu disse que estava incomodada por querer ficar com outra pessoa.

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Ficamos! Meu corpo adorou aquele #sexo, viciamos dias naquela relação.

Por acaso acabou, nos perdemos entre o ciúme, a culpa e o desejo que era demais. O problema estava em como assumir que queríamos ficar daquele jeito, entre a gente e com as nossas relações estáveis.

Foi tão complicado que nem assumimos isso, e jamais pensamos em cartório, aliás eu não teria coragem de ser julgada por gostar de dois homens, queria o corpo, apenas aqueles momentos. Na verdade, queria ficar escondido, quanto mais escondido melhor, muita gente vive assim, mas chamam de traição e não de poliamor", conta uma pessoa que viveu esta experiência.

“Vivo relações poliamoristas há tantos anos que nem sei contar, hoje estou com uma moça, estável e poliamorista. Se eu sinto ciúmes? Tem dias que quase morro engasgado, parece que meu mundo abriu quando vejo ela rindo com outra pessoa no telefone, mas depois eu vejo o quanto ela é linda e como eu gosto de vê-la sorrindo. Não é fácil, é mentira quando dizem que não rola ciúmes, mas a gente não se trai, a gente sente desejo e fica sem culpa ou ameaça, a gente ama mais que uma pessoa, e isso é o pacote todo.

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Quanto ao registro em cartório é importante, é seguro, pois quando temos uma relação acabamos por ter um negócio também, a vida é cara e é melhor ter segurança. É importante assumir e divulgar também, pois é preciso que a sociedade entenda que temos o direito de viver qualquer formato, seja com o mesmo sexo ou com mais de um parceiro ou parceira”, relata outra pessoa.

Os padrões estipulados pela sociedade visam controlar, manter pessoas em caixas, por outro lado, é importante apresentar direitos para todos os formatos, e a garantia de direitos é feita via documentação. As duas pessoas entrevistadas vivenciam seus desejos de foma parecida, mas seguem caminhos diferentes ao que se refere à norma.

O importante é respeitar ambos e deixa-los viver sem o pré julgamento, sem rotular ou exigir que façam parte de um rotulo ou norma determinada pela sociedade.

Dica: Assista You Me Her / eu tu ela na Netflix.

E você, oque pensa à respeito? Comente!