Nos anos 1990, o roqueiro Marcelo Nova, fundador da banda de rock Camisa de Vênus e também parceiro de Raul Seixas, comandava na rádio Transamérica um programa chamado “Let’s Rock”. Em seu programa, o roqueiro baiano, além de evidentemente tocar rock e blues, também dava lá a sua opinião sobre diversos temas.

Certa vez falando sobre cinema, Marcelo disse que era um exagero chamar Steven Spielberg de gênio, pois, como ele dizia, Spielberg é um diretor que tem sua obra baseada em filmes com forte apelo visual, sendo basicamente o produtor de filmes com o uso exagerado dos chamados efeitos visuais.

Marcelo dizia que gênio seria, por exemplo, o cineasta espanhol Luis Buñuel, que teria uma cinematografia muito mais relevante que o realizador de ET e com muito menos recursos financeiros.

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Passados mais de 20 anos do programa comandado pelo roqueiro baiano, talvez hoje em dia, no novo milênio, Marcelo Nova goste muito mais de Steven Spielberg do que no passado, haja a vista a profusão de grandes realizadores cinematográficos que dominam o cinema norte-americano hoje em dia.

Um deles, o diretor e produtor Michael Bay tem em seu currículo filmes como: Bad Boys 1 e 2; Pearl Harbor; A Rocha; Armageddon, entre outros. Bay tem seu trabalho reconhecido basicamente por ser um diretor de filmes de ação (com muito barulho), alguns até muito bons como é o caso do divertido A Rocha. Mais também tem coisas execráveis em seu currículo, como o péssimo Armageddon.

Poucas vezes o diretor sai de sua zona de conforto como é o caso do filme “Sem Dor, Sem Ganho” que conta uma bizarra história verídica que sob a batuta do diretor virou quase uma comédia de humor negro.

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Outro filme de destaque em sua carreira é 13 Horas: Os Soldados Secretos de Behghazi. Outra obra baseada em fatos reais.

Mas, pelo menos, Michael Bay é um diretor que não quer enganar ninguém, assumidamente ele não tem interesse em se mostrar mais do que é, um diretor/produtor de filmes de ação com muito barulho e poucas reflexões filosóficas ou algo do gênero.

Diferentemente do incensado Zack Snyder, que não passa de um cineasta medíocre, mas extremamente pretensioso. Mas na verdade a culpa não é só dos dois diretores citados acima. Se na época do comentário de Marcelo Nova em seu programa já vivíamos uma espécie de exaltação da mediocridade, parece que a tônica deste novo milênio é a idolatria ao que nem chega a ser medíocre.

Como exemplo disso é visto no campo do conhecimento. Vários filósofos; historiadores e pensadores de uma maneira geral têm suas opiniões divulgadas pela #Internet. Mais o lado negativo desta democratização da informação promovida pela internet é o surgimento de pessoas que se acham qualificadas a dar opinião sobre todos os assuntos e criticar de maneira violenta aqueles com opiniões diferentes das suas.

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E também neste caso a culpa não é só do guitarrista filósofo que comenta sobre tudo em seu canal no #youtube. A culpa também é de quem o assiste e o idolatra sem questionar suas opiniões. #NandoMoura