Será que a expressão do filósofo francês, Joseph-Marie Maistre (1753-1821), que cada povo tem o governo que merece, cabe nesse caso? Certamente, a questão é muito mais profunda e mostra como na política uma coisa pode ter outra. Ou como dizia o economista bem-humorado, Roberto Campos, números são como biquínis, podem mostrar muita coisa, mas podem também, esconder o essencial. Será que os números da vitória do governo escondem o essencial de apoio dele?

Sem dúvida nenhuma que houve uma vitória do presidente Michel Temer, isso é inegável, pois a Câmara dos Deputados rejeitou a denúncia do procurador-geral Rodrigo Janot. Essa denúncia iria transformá-lo no primeiro presidente em exercício a ser processado pelo #STF.

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Mas não foi o número esperado de 308 votos e sim, 257 votos, que deu uma vitória, mas não lhe deu um apoio de um governo que ganhará aprovação e ganhará número de apoio. Se tivesse ganhado todos esses votos, iria sair muito mais forte.

Se tivesse saído com uma vitória maior, o presidente poderia resistir com mais vigor, com mais força para atender aos apelos das corporações e a pressão por mais dinheiro. Na verdade, #Temer pode ter ganhado, mas não levou nada. Perderam a luta porque perderam a noção da realidade e perdendo essa noção da realidade – um governo desgovernado – não terão apoio popular, nem mesmo, os aliados e seus ministros. Não juntará e nem fará grandes coisas. O placar só mostra que Temer foi capaz de mostrar alguma força para sobreviver até 2018 e só.

Mesmo com a vitória apertada e muito fraca, será capaz de protegê-lo de capazes novas denúncias de Janot, mas a capitalização política e orçamentária de gastos pela sobrevivência deixou o presidente exposto ao que parece.

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Essa vitória foi montada com materiais de uma velha política do toma lá, dá cá, sempre fazendo um afrouxamento de um talhe fiscal e de decisões de liberação das muitas emendas de parlamentares dispostos a colocar o dinheiro nas suas, por causa da aproximação do ano eleitoral. Não haverá muito a ser entregue daqui para frente, com respeito aos devidos limites de uma responsabilidade fiscal.

O placar mostra que a energia não disponível ao trabalho que está para realizar, da sua base que não tem tanta força, como se fosse uma entropia. Na física, dizemos que a entropia é uma medida de energia que nunca estará disponível dentro da realização de um trabalho, que nesse caso, o governo não disponibiliza essa “energia” para realizar o que quer realizar. Pode até ser que um argumento bem feito a favor das reformas, principalmente da Previdência Social, pode até atrair esses 21 tucanos que votaram a favor da denúncia. Mas já é sabido que o #PSDB por si, sinaliza que vai sair de cena e não mais será a base.

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Que o que sustentará o governo é implementar uma agenda econômica que dependerá cada vez mais de uma política de centro, de coligações de partidos, que a sua fidelidade esteja ligada ao proporcional das verbas liberadas pelo loteamento de cargos no Planalto. Uma combinação que levará ao desgaste e, aos poucos, consumirá o governo.