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Falar sobre o tema família é refletir, situando-se no tempo histórico-social, pois a mesma se faz constante, complexa e única estando em constante transformação, ou seja, intensas transformações dentro das mudanças sociais correspondendo às diferentes culturas e segmentos sociais que se instauram no âmago das relações familiares, estas tomam roupagens diversas segundo a cientista social Cynthia Sarti.

A família é o projetor do mundo, das culturas, da história, da #vida, do comportamento humano, do amor e das neuroses. Sendo então um grupo de pessoas com ancestralidade comum ou não, responsável pela inserção dos indivíduos na sociedade e pela construção do individuo enquanto pessoa.

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Mas e quando a constituição desse grupo é falha? Quando é precária? Quando a inserção no mundo interpessoal e intrapessoal não é satisfatória? E o que se vê e espera hoje em dia desse grupo?

Giramos em torno do tema da ‘família como espaço de pertencimento: um deixar-se afetar’, bem colocado por Ellen Silva e Suely Santos.

Com a quebra do modelo da família como identificação com a natureza, a quebra de um modelo repleto de morais e valores após a revolução industrial, abrindo-se desde então para diversas possibilidades. Pois o cenário atual nos coloca frente ao debate de pensar e re-pensar a família contemporânea.

Sendo possível observar e ressaltar a singularidade de cada família retirando o caráter biológico universal.

O termo “Famílias” apontado em debates atuais, como forma de simbolizar todo tipo de constituição e relação familiar, como por exemplo, de casais homoafetivos, de membros com apenas uma mãe ou um pai, de toda essa diversidade, a adoção como uma forma de perspectiva apreendida nesse espaço de pertencimento fundamentado nos laços afetivos.

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A psicanalista Maria Passos aponta os diversos embates geracionais, bem como a herança simbólica que a criança recebe, vinda das gerações anteriores e dos pais. A fim de tomar propriedade da herança simbólica recebida e passada pelos pais, a criança precisa cumprir os projetos que os pais criaram para ela, repleta de toda umas fantasias narcísicas inconscientes.

Projetada na criança todos os seus desejos e modo de ver o mundo, tomado de preocupações e cuidados afim da criança lidar com toda essa construção que os pais esperam. As frustações parentais aparecem na maneira de quando essas fantasias não são atendidas pelos filhos, sendo rejeitadas por estes.

Na adolescência, o indivíduo passa por momentos de desequilíbrios e instabilidades, sentindo-se muitas vezes inseguro, confuso, angustiado, incompreendido por pais, o que pode ocasionar problemas, as famosas crises da adolescência. Um momento turbulento de transformações sociais, psíquicas e biológicas com toda essa explosão de hormônios.

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Quando não se tem o apoio familiar, passar por essas crises pode ocasionar alguns tipos de transtornos. E quando esses conflitos se acentuam tende a aumentar as chances de desenvolver sintomatologia depressiva, quando o adolescente encontra-se, por exemplo, em ambiente hostil ou vive problemas familiares constantemente.

Na criança quando alguns fatores como o sentimento de desamparo e de ter que tomar partido nas discórdias parentais, pode vir a desenvolver a “ansiedade básica” segundo a neopsicanalista Karen Horney.

Resultado das ameaças parentais, o sentimento penetrante de insegurança e medo, desencadeando então características na personalidade da criança e do adolescente bem como a depressão crônica, transtornos de identidade, de imagem, a incapacitação de adaptação em ambiente psicossocial, comportamento hostil, dupla personalidade e até tentativas futuras de suicídio [VIDEO], segundo o teórico Podevyn.

Para Osório, a família possui um papel importante no amadurecimento e desenvolvimento do sujeito, responsáveis pelas funções primordiais, as quais podem ser agrupadas em três categorias que estão intimamente relacionadas: funções biológicas, psicológicas e sociais. A função biológica principal da família é fornecer os cuidados necessários para que possa se desenvolver adequadamente.

É então a partir desse processo socializador de intimidade, bem como expressões de sentimentos, trocas emocionais e lugar privilegiado no contexto familiar, que construímos nossa identidade, que nos inserimos nos demais segmentos sociais, que nos comportamos frente às diversidades da vida, que enxergamos o mundo diante deste primeiro grupo de acesso. Que nos identificamos e que dependendo da relação, nos rebelamos.

O contexto familiar é de extrema importância para a construção do indivíduo, sendo historicamente formador da personalidade. #adolescentes