Ano 17, século XXI, milênio III da era cristã. Um dos países de maior extensão territorial, o 5º maior do mundo, com mais de 8 milhões de km², a 5ª maior população com mais de 208 milhões de habitantes, de natureza exuberante, e detentor da maior parte da Floresta Amazônica, denominada e considerada como “pulmão do mundo”.

Um país que conta com algum reconhecimento internacional em algumas áreas, a exemplo de algumas práticas esportivas, e da cultura (como o nosso carnaval), e aindaf por sua diversidade étnica. Mas o Brasil vive uma época das mais manchadas de seus 517 anos. Podemos caracterizar como negro este momento que traz uma sombra de preconceito, algo abominante.

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Há quem acredite na hipótese de haver uma herança maldita do branco europeu que, desde que aqui chegou como intruso, apoderou-se das riquezas naturais e explorou, assoberbadamente, no pior sentido do termo, a fauna, os recursos minerais, dizimou povos indígenas em grande escala, impôs seu idioma, um sistema político-religioso-econômico, “presenteando” a nova terra com grande número de imigrantes de péssimo histórico e nível sócio-moral, muitos degredados na terra lusitana, seja, ainda, o grande responsável por desmandos, aberrações, que perpassam por gerações, e que parecem eternos, piorando a cada época.

Fatos recentes mostram como a corrupção deslavada, envolvendo todos os setores (público e privado, político e jurídico, legislativo, executivo e judiciário), além dos desvios de recursos públicos ilícita comprovados ou acobertados, que mancham, avassaladoramente, a ética, a moral de um país cuja nação, em sua grande maioria, é ordeira, séria, trabalhadora.

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Uma gente que contribui para este cenário, e não o faz por maldade, mas por omissão ou visão limitada perante inúmeros episódios que se solidificam mais e mais na história nacional, infelizmente.

As reações

Não é fácil, nem confortável, sequer, descrever a causa de tudo isso. Seria uma vergonha, pouca vergonha ou a falta dela? O que se sabe é que a população de bem se sente envergonhada diante de tanto absurdo! Na realidade, asco é o sentimento que melhor caracteriza o estado atual de desmando pelo qual passa o Brasil. Até onde chegará essa roubalheira desenfreada?

Os mais céticos, entre os quais eu me incluo, estão convictos de que “tudo dará com os burros n’água”. Alguns poucos otimistas têm esperança de um desfecho em que culpados serão punidos,e devolverão aos cofres públicos, quem sabe, com correção monetária, os valores surrupiados e dias melhores virão. Sabe lá Deus.

Por uma série de motivos, o ceticismo é predominante. Primeiramente, sabemos que ainda há muito mais sujeira por de baixo do tapete.

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Se considerarmos que as investigações e denúncias realizadas intensivamente pelo Ministério Público Federal (instituição ainda respeitada, por sua credibilidade, mas sem poder de decisão) há cerca de 3 anos, que focam quase que exclusivamente na esfera federal, nas negociatas que envolvem grandes empresas e membros do executivo e do legislativo nacionais, há tanto por descobrir. E se/quando tais devassas chegarem às instâncias estadual e municipal, o que surgirá? Provavelmente, algo que beira à hecatombe, devido ao que se nota, por exemplo, em termos de sede por poder que tantos revelam, a cada pleito que se desencadeia, incluindo façanhas cinematográficas envolvendo compra de voto e ações violentas absurdas.

A loucura lembra uma acirrada disputa de abutres por um leão abatido. Vale tudo pelo status, pelo controle das verbas públicas. Seria com objetivos de fazer o bem à coletividade ou por interesses particulares? Todos sabem, na prática, o que realmente pesa em tal cenário, em tamanha empreitada.

Perguntamos: o que a sociedade pode/deve fazer? Protesto é a ação, o caminho.

Mas, como materializá-lo? Os obstáculos primeiros e principais surgem quando se nota uma postura individualista e omissa de grande parte da nação, pois o que mais ocorre é uns esperarem ou torcerem para que “os mais corajosos” vão para a batalha, literalmente. Não que sejamos favoráveis à baderna, mas, invariavelmente, ou por excessos de manifestantes infiltrados ou destemidos, ou ainda, por abuso das forças de segurança, que, invertendo seu papel, partem para a violência,e acaba-se em conflitos. São pecados cujas consequências são péssimas e atingem em cheio toda a coletividade.

Outro fator que ofusca a determinação das massas que acabam indo às ruas é o lugar escolhido. Tudo bem que os meios de comunicação fazem a mensagem chegar ao alvo: o poder público. No entanto, interditar ruas, avenidas ou rodovias não parece a mais efetiva saída, muito menos a quilômetros de distância do foco, que é Brasília. Há tanta gente que, por inúmeras razões, paga um preço alto, como, por exemplo, se estiver no itinerário ocupado, e se carecer de solução urgente para qualquer necessidade, não tem saída.

Dessa forma, ideal seria fazer um grande mutirão com destino à capital federal, onde tudo começa, avança e continua.

Organizar e realizar uma marcha exuberante, composta por milhões de brasileiros e brasileiras (e nesse sentido a população jovem poderia – e deveria, por diversos fatores, ser protagonista) que, acampados na praça dos Três Poderes, pacificamente, exigissem a dissolução do Congresso Nacional, a renúncia de todos os ocupantes do Poder Executivo e a substituição da maior parte dos membros do Supremo Tribunal Federal, que estão (e assim se comportam) acima da lei e é ali que se coloca panos quentes sobre todas as aberrações, que têm manchado nossa história.

É certo que tudo é mais utópico do que nunca, por fatores como o já citado individualismo e também pela carência de lideranças efetivas que deem os principais exemplos e arrebanhem massas e as conduzam a enfrentar, cara a cara, as causas de tamanhos escândalos que, no presente e no futuro, comprometem os sonhos da sociedade. Devido ao caos vigorante, faz-se urgente tal medida.

E depois? É um tanto desilusório crer num soerguimento breve da baixa autoestima pelo qual passa a população brasileira, em que o nacionalismo naufraga e até os símbolos da pátria passam a sensação de algo meramente decorativo, quando não ofensivo. Diante dessa barbárie cívica, moral e social, outras medidas são imperativas, entre as quais, a atitude da população quando novos pleitos acontecerem. Todos sabemos que, num país prenunciado como democrático, no caso específico do Brasil, o único ato mesmo em que o povo decide é diante da urna ao votar.

Desse modo, será que compensa optar por alguém, se visamos ao bem da coletividade? Já passa da hora de fazer um grande boicote aos políticos, sem exceção, anulando maciçamente os votos, para todos os cargos, para só então, quem sabe, mais uma vez utopicamente, possa haver uma intervenção internacional, pela ONU, que tem condição e cacife para, por período determinado, enviar uma comissão que geriria os destinos políticos da nação brasileira e, depois de colocar a casa em ordem, estabelecendo critérios claros de continuação de tão ousado e essencial projeto, marcaria eleições gerais em que a sociedade voltaria a decidir.

Do jeito que está hoje é praticamente impossível que o bonde reencontre o rumo seguro e esperançoso. Temos servido unicamente como elevador para promoção de tantos aventureiros que, ao seu bel prazer e por interesses os mais escusos possíveis, conseguem se perpetuar nos cargos, mudando apenas de patamar, costumeiramente de forma ascendente. E quatro anos depois lhes reconduzimos novamente ao estrelato. Até quando?

É por tudo isso que reenfatizo: dar carta branca a certas figuras sem nenhum escrúpulo é, no mínimo, ingenuidade. É preciso acabar com esta enganação de que voto em nosso país é um direito! É muito antes um dever, pelo menos ir à seção. Lá, porém, temos a condição de escolher alguém ou não. Então, por que tanta obediência? Até mesmo deixar de comparecer é um direito. Se, no dia da eleição, mais da metade não comparecesse, será que o impacto sacudiria ou não as bases hoje cômodas e sólidas de chefes nacionais? Será que não valeria a pena pagar a conta por tal “crime” de abstenção em massa? Afinal, servimos (somos usados) apenas para colocar essa gente no pedestal. Descer de lá é que são elas, demora deveras, ainda mais se depender, de novo, do desejo popular, mesmo se cometer abusos de toda espécie.

É isso. Não votar, certamente, geraria alguma frenagem na ganância sedenta daqueles cuja maior meta é se locupletar por meio da coisa pública e, pior, desonestamente.

E não adianta, infantilmente, acreditar em salvadores da pátria “fabricados” e promovê-los como saída desesperada! É ainda mais perigoso, grave até!

Por outro lado, fortalecer e proliferar uma educação com fulcro em moldes que funcionam, como Coreia do Sul, Japão, Finlândia, Reino Unido e Uruguai é, a médio-longo prazo, a solução definitiva. Lamentavelmente, somos ainda um povo manipulável, exatamente, por termos uma educação alicerçada sobre a areia movediça, que pouco é efetiva quando se trata de interferir nas ideias e ações que deveriam guiar uma vida cidadã.

E o futuro?

O horizonte parece turvo e perante um amanhã recheado de turvação (que se assemelha e dá origem à turbulência) é elementar haver luz. Mas, de onde viria o brilho, se, no momento, o brasil (no sentido mesmo do termo) está ofuscado pelas sombras da corrupção, da exorbitante sede por enriquecimento, não importando os meios, mas os fins que os justificariam, parafraseando o referencial maior para os políticos de carreira, o filósofo italiano que viveu e produziu entre os séculos XV e XVI, Nicolau Maquiavel, em sua obra mais difundida O Príncipe.

É mais que urgente reacender a chama desse brasil que urge por uma brisa que lhe sirva de combustível e ressuscite o outro Brasil, nação, natureza, pátria hoje assolada por uma forte tempestade imoral, mas que, apesar dos pesares, resiste e já tanto orgulhou seu povo e até outros tantos do mundo todo que para cá vieram e aqui encontraram um porto seguro para si e para os seus e, por que não, ajudaram e ajudam a mantê-lo erguido.

Na atual conjuntura, paradoxalmente, um sentimento (plano de alguns) encontra eco em muitos brasileiros que vislumbram uma vida em outro país, desde que o trem não encontre, brevemente, os trilhos. Uma alegação condizente com tal desejo que, espera-se, seja efêmero, também como consequência da retomada do caminho em solo firme, é que é inaceitável a realidade vigente, numa terra onde anormal é ser honesto, correto, justo. Será o fim?

Solução concreta? Diante da farra predominante com verbas públicas, da morosidade e da conivência do judiciário e da complacência da sociedade, está difícil vislumbrá-la para logo. Talvez tenha razão quem diz acreditar que “só Deus” consiga fazer algo.

É preciso acreditar e sonhar, porque ainda é possível encontrar o rumo certo. Reage Brasil! #Protesto #ReageBrasil #VergonhaDeSerBrasileiro