Os dias de glória do #Automobilismo brasileiro tiveram seu fim, no último final de semana, em Budapeste (Hungria). Depois de 57 anos e 605 Grandes Prêmios, o Brasil viu seu lugar no grid vazio, em Hungaroring, depois um de seus filhos fugir à luta com vertigens.

Em 1982, portanto há 35 anos, aconteceu algo parecido: uma disputa política entre a extinta Federação Internacional de Esportes a Motor (Fisa) e a Associação dos Construtores da F1 (Foca) acabou em boicote, na etapa de San Marino, e as equipes Brabham, Lotus, McLaren e Williams, além de March, Ligier, Arrows e Fittipaldi, não participaram da prova. Mas ao contrário do que aconteceu em Imola, quando Nelson Piquet, Raul Boesel e Chico Serra desafiaram a Fisa, se contrapondo a uma punição dada a Piquet, agora é a incompetência que nos tira do páreo.

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Foram tantas disputas, tantas vitórias e conquistas, no passado, que a falta de perspectiva para o futuro traz a certeza de que, infelizmente, esta é a última temporada de um brasileiro na principal categoria do automobilismo mundial. O leitor pode olhar para onde quiser que não irá enxergar um sucessor à altura de nossos campeões ou mesmo de #Felipe Massa que, apesar de não ter alcançado o título, teve uma ótima fase na F1, entre 2006 e 2008, quando conquistou 11 vitórias.

Nunca é demais lembrar que o próprio Massa já tinha pendurado as chuteiras, no final do ano passado, e só se “desaposentou” por uma questão conjuntural: a saída de cena inesperada do atual campeão Nico Rosberg, que mexeu com todo o circo.

A participação do Brasil na F1 chega ao fim de forma, inclusive, lacônica. Na Fórmula 2 (ex-GP2), principal categoria de acesso, o mineiro Sérgio Sette Câmara vem tendo um desempenho muito abaixo da expectativa criada por sua assessoria de imprensa – que vendeu a imagem de promessa para a imprensa dita “especializada”.

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Nas 14 corridas das sete etapas disputadas até agora, ele não somou nenhum ponto, enquanto seu companheiro de equipe na MP Motorsport, o britânico Jordan King, soma 49 pontos e ocupa a 10ª posição na tabela.

A verdade é que a despedida brasileira pode ser até mesmo antecipada. Afinal, nada garante que Felipe Massa terminará o ano a bordo de seu Williams, na F1. E mesmo se trabalharmos com projeções remotas, o cenário é desanimador: se nossa esperança for a GP3, categoria que forma os pilotos que estarão na F2, é melhor desistir, porque o paulista Bruna Baptista vem fazendo pior que Sette Câmara. Não fosse o suado pontinho conquistado no último final de semana, em Hungaroring, ele estaria atrás da companheira – isso mesmo, da "companheirA" – de equipe, a venezuelana Tatiana Calderón.

Di Grassi

Hoje, o maior nome do automobilismo brasileiro, quando falamos de monopostos (ou fórmulas), é Lucas Di Grassi, que conquistou o título da temporada 2016/2017 da cada vez mais prestigiada Fórmula E, no último domingo, no Canadá.

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Di Grassi, que completa 33 anos, está velho para a F1, mas tem um currículo respeitável: cinco vitórias na GP2, duas no Mundial de Esporte-Protótipo (WEC) e três pódios em quatro participações na principal categoria das 24 Horas de Le Mans, além de seis vitórias na própria Fórmula E. Mas o paulista já esteve na F1, em 2010, quando correu pela equipe Virgin. Não somou pontos, mas ficou à frente do companheiro, Timo Glock, que corre o Alemão de Turismo (DTM), desde 2013.

Os nomes que restam são os de Pietro Fittipaldi, atual vice-líder da moribunda World Series (Fórmula V8 3.5), e Pedro Piquet, 14º colocado na tabela da F3 Europeia. Sobre o neto do bicampeão da F1 Emerson Fittipaldi, sem grandes adversários para lhe fazer frente, Pietro, de apenas 21 anos, venceu seis das 12 corridas disputadas até agora.

O problema é que não há um patrocinador brasileiro capaz de alçá-lo ao grande circo. Já sobre Piquet, seu desempenho foi o pior, no ano passado, e segue como o pior, neste ano, da equipe Van Amersfoort Racing. Apesar de ter chegado na segunda posição e subido no pódio da primeira corrida, em Norisring, o filho do tricampeão da F1 Nelson Piquet não empolga ninguém.

Posto isso, não há mais ninguém na fila de sucessão. Então, o leitor deve estar se perguntando, “como chegamos neste ponto?”

Bom, até os anos 1990, o automobilismo brasileiro era um celeiro de pilotos. Haviam categorias nacionais e uma F3 Sul-Americana forte e prestigiada, que revelavam talentos disputados pelos “olheiros” europeus. Hoje, a F3 Brasil usa uma versão (F309, de oito anos atrás) muito antiga do monoposto da Dallara, que já está três gerações à frente, na Europa.

Criou-se, então, um abismo entre o automobilismo daqui e o de lá e, para piorar a situação, a televisão focou categorias como a Fórmula Truck e a Stock Car, que são cemitérios de dinossauros. O resultado é que, como pouquíssimos pais têm condições de bancar uma temporada internacional para os filhos, o automobilismo nacional não forma mais jovens pilotos. É por isso – e só por isso – que nunca mais veremos um brasileiro na F1. #Fórmula 1