"Estamos sentados na superfície. Estamos no cometa", disse Paolo Ferri, um dos líderes da missão da ESA, Agência Espacial Europeia. Cá do meu sofá, gravidade e suco de frutas, recebo a notícia, sonhador. Menos pelo que já declamamos, cantamos ou filmamos sobre o espaço, do que pelo empenho científico de um grupo que levou mais de uma década para colocar o primeiro robô no meio de um corpo celeste que viaja a milhares e milhares de quilômetros por hora. Tentar ser "profundo" é de um risco enorme. Depois do deserto lunar a humanidade não mais se emocionou, o interesse (e a audiência) diminuíram a cada missão tripulada. O 67P/Churyumov-Gerasimenko, nome do cometa, será estudado. A citação continua a valorizar: "Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade".

Imperadores desejaram a lua, galanteadores e artistas se inspiraram em nosso satélite, mas bastou conquistá-lo. Agora, estudaremos partículas, uma máquina numa superfície de gelo e poeira, a visão "cientificista" idealizada que assombra o lirismo e o dogmatismo.

Mas não. Olhemos lá de cima, imaginemo-nos do espaço. Do céu, como num microscópio de "deus", vemos que a Terra é um organismo latejante, um elemento de matéria viva, é análogo a visualizar qualquer estrutura minúscula. Parece até que estamos no corpo de alguém, na corrente sanguínea ou, se preferirem, entre as sinapses. Ainda que o nosso máximo metafísico seja como "organicista", noutro mundo, no universo de conexões neurais, consciência e inconsciência - conforme sonhadores - atendemos ao nosso senso estético e espiritual.

É recente a notícia da NASA confirmando "vida inteligente" extraterrestre, deu até prazo para ratificar: 20 anos. Somente na Via Láctea haveria mais de 100 milhões de planetas com condições para ter vida alienígena. São apenas duas décadas, não representa nada. Lembro-me que contávamos os anos, em 1986, a calcular a expectativa de vida para rever o cometa Halley em 2061.

Conversa fiada da Agência Espacial Americana ou não, a busca é real. Não sabemos o que nos aconteceria ao mínimo contato. Com microrganismos ou com seres cabeçudos de grande poder telecinético, a assimilação não seria fácil, afinal, nenhum "deus" é terreno: "Vós sois daqui de baixo; Eu sou lá de cima". Sem dogmas ou programas do History Channel.

Pousou ontem, 12 de novembro de 2014. Com ou sem interesse (e audiência) a busca continua. Ora, a ciência é de uma baita poesia. Pistas na mineração espacial para entendermos a composição do sistema solar, da vida na Terra, do "passado" sem nostalgia e sem amarras. #Inovação #Opinião