É inegável que a chegada da tecnologia acessível às pessoas em suas casas trazendo consigo a Internet deixou o mundo bem mais compreensível e passível de ser feito por nossas próprias mãos. Mudamos o jeito que líamos a realidade. Antes éramos obrigados a ter informações apenas através dos jornais, revistas, TVs e rádios, que nos diziam somente o que eles achavam que era devido informar, mas hoje temos na rede mundial a oportunidade de acessar outras fontes de informação.

O problema é que...

Diferente de um veículo de comunicação do passado, que processava a informação, e ela tinha um prazo de validade que vigia até a próxima edição, fosse do jornal, geralmente diário, da TV ou rádio, através das diversas edições de seus noticiários, ou das revistas semanais, a Internet fica à nossa disposição durante 24 horas por dia, sete dias por semana.

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Ou seja, está para nós, como o ar: Na hora que quisermos.

Isso implica em uma necessária "renovação" das notícias e do aumento do número de notícias para que o público não "mude de canal" procurando outro site, nem se sinta desconectado do mundo.

Para prover as tantas necessidades do lado do fornecedor de informação e do lado do público conectado, existe uma verdadeira feira de produção de conteúdo na qual passamos a ver um derrame de notícias sobre coisas que absolutamente não valem nem a fofoca no muro da casa do vizinho.

São tantas "notícias" que fulaninha deixou sua calcinha aparecer; que sicraninho fotografou a si mesmo e publicou em seu perfil numa rede social; que a outra foi à praia de biquíni e mostrou as celulites, ou que está em forma, que acabamos por achar que isso é realmente importante.

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Talvez o acesso à tecnologia tenha trazido à tona a necessidade que as pessoas têm de saber de fatos tão idiotas ou abjetos, que não servem nem para fofocar, mas talvez o problema esteja situado no outro extremo, que é o desinteresse, ou, pior, a falta de compreensão de notícias que devam ser caracterizadas como tal. Um evita ler, o outro evita publicar.

Claro que antigamente existiam as colunas e cadernos especializados em política, esportes, entretenimento, cultura, culinária,etc, assim como os programas de todos os tipos e conteúdos, e só lia, via ou ouvia quem quisesse, mas o que ocorre atualmente com Internet é a total falta de referência por quem faz e por quem usa esse veículo.

Talvez seja apenas o momento de adaptação, mas acho que é preciso que se pense em como melhorar ambos os lados para que tudo isso não se torne território de ninguém, ou se perca de maneira deturpada como hoje ocorre com as emissoras de rádio, especialmente as de Ondas Médias, quase todas veiculando programas religiosos.

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Em breve, se já não o fazem, as pessoas ficarão mais antenadas com os possíveis famosos de 15 minutos criados pelas mídias, do que com eventos que atingem as suas vidas de forma direta e que precisariam de suas efetivas participações no conhecimento de todo o processo, de quem fez, quando, onde e por quê.

A Internet permite sim, a conectividade com o resto do mundo de forma fácil e rápida, mas permite, com muito mais facilidade e rapidez a alienação de quem a acessa. E nesse momento em que os filhos é que ensinam os pais a usarem a tecnologia, pode ser que os caminhos seguidos não sejam os melhores.

Conectar sim, mas com qualidade e com objetivo de melhorar nossa vida, e não nos deixar, ainda mais, à mercê de quem quer que não saibamos o que acontece de verdade no mundo em que vivemos.