Produto típico de sociedades industriais, o pneu foi concebido para facilitar o transporte, através da aplicação de borracha nas duras rodas de madeira e ferro usadas nas carruagens e carroças, únicos meios de transportes sem trilhos disponíveis nos idos anos do século XVII.

A borracha entrou na história da humanidade somente após a chegada dos europeus ao Novo Mundo. Antes disso, somente as civilizações pré-colombianas é que conheciam o produto nativo da América.

Propriamente dita, a borracha, que é uma resina extraída dos caules da seringueira, em seu estado natural não tem muita utilidade para o uso em pneus, uma vez que ela é frágil, gosmenta, e mole demais. Para mudar essas características foram precisos muitos anos de pesquisas, feitas por muitos cientistas. E somente em meados de 1800 que Charles Goodyear conseguiu processar a borracha com enxofre, criando a vulcanização, que resultou numa borracha elástica, resistente às variações de temperatura.

Essa novidade conseguiu colocar a borracha no cardápio das principais indústrias que buscavam criar produtos para a sociedade que a cada dia se transformava.

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Na esteira das descobertas, o carbono foi acrescentado à mistura que ganhou resistência e durabilidade, além da cor preta característica.

Logo depois da descoberta da vulcanização, foram construídos os primeiros automóveis, que aproveitaram logo a novidade, e se calçaram com pneus mais macios que as rodas de suas antecessoras carruagens.

De lá para cá, os pneus não saem mais da vida do homem moderno, que não larga dos seus carros. Não saem nem depois de já estarem velhos e usados, criando um problema sério para as cidades que acumulam montanhas de lixo em forma de borracha vulcanizada.

Entupindo rios e canais, poluindo mares e campos, os pneus são a grande dor de cabeça da sociedade moderna que os têm como base de desenvolvimento. E hoje eles são, ainda, matéria-prima de muitas pesquisas, como na época de Goodyear, que vulcanizou a borracha, e dos irmãos Michelin, que criaram o pneu para os recém-criados automóveis.

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Como forma de usar os restos, os pneus devem ser desfeitos e suas partes separadas, porém o custo dessa ‘reindustrialização’ de desmonte é cara e com benefícios que não são rentáveis o suficiente para compensar o trabalho. Por isso é tão ‘mais simples’ abandonar as carcaças dos pneus carecas no lixo.

Entretanto novas tecnologias estão sendo desenvolvidas e buscando conseguir melhores subprodutos daquele objeto. De poluidores fontes de calor, queimando em fornos para gerar energia, a triturados pedaços de borracha usados para compor asfalto e fazer um piso mais seguro para estradas, a fontes inusitadas de carbono, óleo e gás combustível, além do aço usado em suas malhas estruturais e nos talões, agora os pneus são caminhos para a solução.

O problema é sempre o preço dessas operações, porém, os cientistas estão conseguindo baixar os custos, e melhor, aumentando as quantidades e as qualidades dos subprodutos, fazendo com que a reciclagem do pneu não só se torne economicamente viável, mas como uma solução para um problema que só tende a aumentar, que é a fabricação e o descarte de um bem não durável no uso, mas durável até demais na #Natureza.

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Vamos torcer para que consigamos desenvolver usinas que aproveitem o pneu em sua totalidade, sem jogar na natureza resíduos que vão destruí-la, antecipando nosso fim. Morrer por causa de um pneu, que foi feito para melhorar nossa vida. Que contradição. #Automobilismo