Quase todo mundo sabe que empreendimentos como a Apple vendem a imagem de que possuem os melhores ambientes de trabalho do mundo. Daqueles em que o trabalhador recebe bem e usa patinete para ir de um setor ao outro.

Porém, "há algo de errado no reino da Dinamarca", como diria Shakespeare. Ou ainda, "nem tudo que reluz é ouro", falam as vozes do ditado popular. De acordo com a China Labor Watch (CLW), a Apple feriu direitos trabalhistas por não monitorar de modo qualitativo o trabalho de um fornecedor em Taiwan.

Apple explora Taiwan

A fornecedora e montadora de Taiwan se chama Pegatron. Neste ambiente de trabalho, os colaboradores receberam salários abaixo da média.

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Além disso, sofreram consideráveis cortes nos direitos trabalhistas, o que fere inclusive as diretrizes dos direitos humanos, conforme relatório da CLW divulgado no final da primeira quinzena de fevereiro.

Mais-valia na Apple

Karl Marx, um grande pensador alemão, definiu mais-valia como o ato de explorar mais a força de trabalho com menos custos possíveis à empresa (definição superficial). Este aspecto está presente em todas as áreas da economia, inclusive na tecnologia.

De acordo com a ONG que acusa a Apple, era justamente isto que acontecia na fornecedora de Taiwan. Porém, mais arrepiante à crítica, é que em 2010 as condições de trabalho culminaram a uma série de suicídios de funcionários.

Como se sabe, no Oriente existe algo que já sumiu há tempos em erras ocidentais, ou seja, o zelo pela honra.

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Trabalhadores da Pegatron se sentiram desonrados com a política trabalhista e tiraram as próprias vidas.

Qual a base da denúncia contra a Apple?

A CLW considerou como bases legais para comprovar a acusação quase 100 recibos enviados para a entidade ambiental em anonimato. Conforme o levantamento, a conclusão foi de que salários mais baixos resultaram em maiores horas de trabalho.

Representantes da CLW indicam que a Apple afirmou monitorar todos os padrões trabalhistas. De fato, a ONG não conseguiu provar que os norte-americanos procuraram a Pegatron apenas por causa das baixas renumerações.

Até então, Apple e Pegatron se mantém caladas sobre o caso.

Duelo de gigantes

Na prática, EUA e China disputam para governar o mundo econômico. Apesar do impacto relacionado ao relatório, também surgiram as vozes que defendem a teoria da conspiração, levantando a ideia de enganação cuja manobra é liderada por próprios governantes chineses, afinal, a ONG tem origem chinesa.

Mas também há o outro lado da moeda. Isto é, caso as acusações sejam verdadeiras, se torna injustificável não apenas o abuso aos trabalhadores de Taiwan como também o alto preço dos produtos Apple no mercado.

Importante notar que o relatório da ONG chinesa foi publicado no exato dia em que a Apple lançou seu estudo anual sobre o compromisso com empresas fornecedoras em 2015. Será esta uma mera casualidade do destino? #Negócios #Inovação