Pneus velhos são um dos problemas mais comuns na natureza. Todos os anos são recolhidos milhares de dentro do Rio Tietê e Pinheiros, ambos na grande São Paulo, e outros bilhões são descartados indevidamente, gerando criadouros para mosquitos que transmitem doenças, como a dengue.

Isto, porém, está para mudar, pois pesquisadores brasileiros estão vendo um enorme potencial para o uso deste material, que em breve servirá para geração de energia elétrica no Brasil, com a vantagem de ser um produto abundante e praticamente de graça.

A Petrobras de Curitiba, que já vem estudando o mineral xisto há mais de 30 anos, agora quer incorporar pneus triturados a ele, para que assim possa ser transformado em óleo combustível para usinas termoelétricas.

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A tecnologia foi desenvolvida pela unidade de Negócios da Industrialização de Xisto da Petrobras, instalada em São Mateus do Sul (PR), a cerca de 140 km de Curitiba.

Depois de alguns anos de testes, a unidade desenvolveu uma tecnologia para ser usada em conjunto com o xisto (mineral que tem baixo teor de óleo, de 7% a 11%) na geração de óleo e outros derivados. A empresa também compra pneus velhos a R$0,30 a unidade e paga R$50,00 a tonelada do material já triturado, o que tem gerado renda para muitos catadores de sucata da região.

Em São Paulo, o pesquisador Jefferson Caponero, da Escola Politécnica (POLI) da USP, propõe a utilização de pneus velhos triturados como matéria-prima para vários produtos importantes da indústria, como o aço, que pode ser vendido para as siderúrgicas, e a borracha, que pode ser usada como combustível para caldeiras de termoelétricas no lugar do carvão mineral ou no lugar do piche na fabricação de asfalto.

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Caponero utilizou um sistema antigo que se chama pirólise, que queima a borracha vulcanizada a uma temperatura alta e sem oxigênio, transformando o material em vapor. Este método funciona em dois estágios distintos que aumentam muito a sua eficiência: um que queima a matéria prima e o outro que suga a fuligem.

Assim, 99% dos resíduos em forma de fumaça são recolhidos em um filtro de carbonito de silício. A fuligem gerada no primeiro estágio pode ser quase que totalmente queimada no segundo, gerando ainda mais energia para a caldeira de uma termoelétrica ou de uma fábrica de cimento, por exemplo, sendo de infinitas possibilidades de uso.

O futuro da geração de energia do nosso planeta pode estar no que hoje estamos jogando no lixo, já que essas pesquisas mostram que tudo pode ser aproveitado e transformado em coisas úteis para todos nós. #Automobilismo