Assista alguns filmes de ficção produzidos a partir da década sessenta do século passado. Observe o formato antropomórfico com o qual as máquinas foram imaginadas. Foi tal e qual os homens imaginaram os Deuses, seres que em teoria lhe são superiores, se existirem. A visão ainda não será apocalíptica e não deve provocar grande medo. O antropomorfismo irá disfarçar as coisas.

As máquinas no tempo atual

Hoje em dia as maquinas inteligentes são desenvolvidas com capacidade para solucionar quase todos os problemas, identificar algumas situações particulares e tomar decisões sozinhas, ainda que sob o comando de algum algoritmo humano.

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A continuidade do antropomorfismo ainda não permite que a visão seja assustadora.

As máquinas no futuro já presente

Ao acompanhar as tendências das máquinas inteligentes, previstas para o próximo século, as coisas irão mudar de figura. Uma ponta de receio, tal qual a parte visível de um iceberg pode aparecer. Aos poucos, o antropomorfismo perde o lugar, senão os drones (os dispositivos voadores não tripulados) teriam sido desenhados como super-homens. O medo das novas geringonças não é mais diminuído pelo antropomorfismo e as máquinas mostram como são diferentes de seres humanos.

Coloque suas barbas de molho

Imagine que está jogando uma partida de xadrez com sua máquina. Quando, com a sua mão mecânica, ele derrubar o seu rei e com voz metálica (com correção prometida para a nova geração) lhe der o ultimato, xeque-mate, quem sabe o medo comece se apresentar de maneira mais efetiva.

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Imagine fábricas sem trabalhadores, operando 24 horas por dia, será que sobrarão empregos? Tudo irá piorar quando você souber que as máquinas localizam falhas, preveem o seu crescimento e recomendam todas as ações corretivas. A participação humana pode ser prescindida de forma total.

Imagine que sua máquina inteligente olha pela janela e vê que o tempo está ruim. Você quer sair com uma camisa de manga curta. Seu companheiro não lhe dá autorização e não liga o carro, que os espera na porta de casa, até que você troque de roupa. Isto feito, ele senta em frente ao que algo era chamado de volante, agora uma parafernália digital e o leva até seu emprego. Ele sabe a hora de saída, de permanência e de chegada. Você está sob seu domínio.

As coisas ainda podem ficar pior

Seus filhos chegam da escola e imediatamente procuram Hall (homônimo de um de seus precursores, em um filme de ficção científica). Sua esposa não ficou ao seu lado quando você chegou. Imediatamente iniciou um diálogo com Hall.

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Era para pegar uma nova receita do bolinho de chuva. Você os devorava quando sua mãe fazia. Mas agora, feito por uma máquina, ainda que inteligente, não parece tão gostoso.

Quando souber que o objetivo destas máquinas é ser capaz de sentir, analisar situações, decidir o que deve ser feito e implantar de forma independente e sem lhe consultar, as soluções para todos os problemas corriqueiros do lar, você sentirá saudades do tempo em que tinha que resolver tudo e era considerado como um rei em seu palácio.

Imagine o que irá acontecer quando um dia Hall achar que você não está cumprindo a contento todas as tarefas que o engenho e gênio humano criou e resolver, assim como um dia os homens resolveram criar máquinas inteligentes, criar homens inteligentes? Talvez aí você compreenda porque tantas pessoas estejam perdendo a alegria de viver. #Televisão #Educação