Alguns colaboradores estão ficando desconfiados quando seus macacões são entregues pelas empresas. Isto não acontecia até que uma destas empresas anunciou que estes macacões eram tecnologias vestíveis que registravam o que o colaborador fazia em sua jornada de trabalho.

A coisa piorou depois que alguns executivos (das empresas Inclusive BP, Bay, Buffer e outras) divulgaram uma notícia mais preocupante. Foi divulgado o uso da FitBit, uma pulseira cujo sensor registra estatísticas relacionadas com a atividade diária, tais como: passos dados; distância percorrida; dispêndio de calorias e durante a noite dados associados ao padrão de sono.

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Algumas outras que também utilizam o produto ficaram com medo de divulgar e perder alguns pontos de audiência nas redes. Alguns analistas vão mais longe e perguntam se será possível que ao pegar, este exemplo acabe nos levando para a sociedade do grande irmão, apresentada por Orwel (1984).

Tantas as empresas que utilizam este método quanto os colaboradores a ele submetidos estão com um problema nas mãos. Analistas ponderam que os colaboradores não vão mais poder esconder seus passos. Algumas empresas oferecem, como contrapartida, desconto no seguro saúde. Atletas são instados a aceitar aparelhos similares e ficam como escravos das equipes que os contratam. O receio dos analistas é que isto se transforme em um campeonato de saúde e bom comportamento. Algumas empresas estimulam a competição.

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O objetivo é premiar a mão-de-obra mais saudável.

Colaboradores da Tesco fizeram uma manifestação interna contra a utilização de uma braçadeira com que desenvolve os mesmos controles. Planos de outras organizações estão sendo feitos com o mesmo direcionamento.

Bill Briggs, da equipe de consultores em Missouri alertou, recentemente, que o fato pode trazer problemas éticos e de direito para as organizações que estão inclinadas a utilizar o mesmo procedimento.

Ethan Bernstein, um dos interessados, da escola de comércio da Harvard, alerta contra o que chamou de paradoxo da transparência que pode incentivar o jogo da enganação, ao invés de tornar o colaborador mais produtivo.

Quando o rastreamento é sem autorização é questão judicial na certa, mas algumas reações contrárias, pode transformar até o rastreamento autorizado em um problema legal. É possível obter consequências imprevisíveis, não intencionais e que tragam prejuízos a todos. Se decisões de promoções, avaliações ou dispensas foram baseadas nos resultados destes dispositivos, certamente a organização deve parar nas barras dos tribunais, ainda sem jurisprudência para agir da forma mais rápida e correta. O problema é que enquanto não houver ações firmes no sentido de regulamentação do monitoramento pessoal, coisas indesejáveis podem acontecer.