Lembra daquele adesivo plástico que servia para colar em armários, paredes e até para encapar livros? Agora, será possível colar no telhado também, como se fosse um daqueles adesivos. Uma lâmina OPV, célula voltaica orgânica, material à base de polímeros que, ao invés das placas de geração fotovoltaica à base de silício, utiliza materiais orgânicos para gerar eletricidade, quando estimulados pela luz, para obter energia elétrica.

Durante muitos anos, entendeu-se que polímeros, cadeias orgânicas, como o isopor, tinham apenas propriedades isolantes termoacústicas e elétricas. O mesmo se pensava a respeito de materiais cerâmicos.

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Desfazendo paradigmas, os condutores cerâmicos hoje são uma conquista tecnológica e, mais recentemente, as propriedades de condutividade em polímeros eletroestimulados conduziu à possibilidade de gerar energia em polímeros, convertendo luz em corrente elétrica.

Painéis orgânicos fotovoltaicos prometem revolucionar a geração de energia elétrica. Imagine que, ao invés de um pesado painel de silício colocado no telhado, a própria telha seja recoberta com uma leve camada de OPV, com espessura pouco maior do que a de uma folha de papel, ou que seu carro, ou a parede de um prédio, recebam uma cobertura que permita alimentar um sistema elétrico, ou que vidraças sejam cobertas com OPV transparente.

Imagine boias de OPV lançadas no lago de uma hidrelétrica para geração de energia, em épocas de estiagem.

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Tudo isso está sendo desenvolvido e já é possível. Estima-se que um metro quadrado desses painéis possa gerar entre 120 e 150 watts por hora, o que é semelhante ao que se tem em painéis de silício convencionais.

Afinal, o que impede que esse sonho já seja realidade? Primeiro, o custo de fabricação, depois a durabilidade do material. Há também grande expectativa de que o Brasil aprove uma legislação que estimule o uso de energia alternativa e que permita que possa ser partilhada no sistema energético brasileiro, o que viabilizaria muitos projetos.

Fiat, Votorantim, Medabil e CSEM do Brasil trabalham no desenvolvimento e aplicação dessa tecnologia, com apoio do BNDES e PUC Minas, com avanços promissores. Pelo visto, em breve, as fachadas, vidraças e telhados das cidades já não serão mais os mesmos.