Você está sentado no auditório onde seria anunciada mais uma nova tecnologia, a implantação de biochips do tamanho de um grão de mostarda, semente que se tornou na famosa na bíblia ao ser considerada o tamanho da fé necessária para mover uma montanha, fato que os cientistas não conseguem provar. Um pequeno cartaz está oculto em suas mãos.

Quando, orgulhosos os cientistas anunciam que foram coroados de sucesso os testes de implantação de biochips no cérebro humano, e a audiência se levanta para aplaudir, você faz que nem um torcedor fanático de futebol, levanta o pequeno cartaz onde se lê uma frase simples: eu já sabia!

Parece que nada mais parece separar o homem da  onipotência de fazer funcionar tudo o que sua mente seja capaz de pensar.

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Imagine algumas situações. Você chega em casa e apenas encosta na porta da garagem e depois na porta da casa: como em um passe de mágica que nem a grande pedra fazia ao apelo de Ali Babá, elas se abrem e podem até lhe dar as boas-vindas.

Quando você sai do carro, a ausência do contato com o biochip o deixa imóvel, de forma que nenhum ladrão, a menos que traga um rebocador e um arrombador de portas de garagem, consegue roubá-lo.

Seu smartphone deixou de ser um território sem dono, onde todos faziam o que queriam, agora ele somente funciona se você o acionar. Sem o biochip programado, ele continua mudo. Com relação à sua saúde, você nunca esteve tão bem cuidado, sensores medem o nível de oxigênio no sangue, a frequência cardíaca, a temperatura corporal. E se tiver algum problema eles nada lhe avisam, mas sim ao seu médico, que tem um jeitinho especial de conversar com você e de avisar seus familiares para prepararem para dalí a uma semana seus funerais.

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Estes pequenos grãos de mostarda irão substituir as tecnologias vestíveis, com seus sensores expostos ao tempo. A realização deste sonho aconteceu agora, pouco tempo atrás. Nesta quarta-feira, dia 29 de abril cientistas expuseram ainda com promessas o que há de mais inovador na área da estimulação cerebral, um dos últimos redutos inexplorados do homem, que agora sim poderá se tornar um livro aberto para a ciência. Tudo isto aconteceu no B Debate realizado em Barcelona.

Agora não haverão mais justificativas, que não sejam as verdadeiras, para que as pessoas faltem ao trabalho. O biochip desmente aquele resfriado que você alega como motivo para faltar ao trabalho e pegar um certificado médico com o tio de sua mulher. O próprio biochip trata do certificado de dispensa do trabalho.

Qualquer semelhança com a sociedade do grande irmão não é mera coincidência. Os teclados dos computadores possivelmente poderão ser aposentados (como tantas outras coisas já o foram) você pensa e um word cerebral converte em texto na tela do computador e quem, sabe para colocar em algum museu, tire uma cópia impressa.

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Ninguém mais irá ler os livros em papel. As editoras que se cuidem. Os defensores dos direitos autorais perderão o emprego. Haverá o reconhecimento que todo o conhecimento é propriedade intelectual da humanidade.

São muitas mudanças para um dia só. Mas para terminar é importante destacar que, na área da saúde, sintomas de depressão, ataques de epilepsia, recuperação de acidentes vasculares cerebrais e o controle da doença de Parkinson, estão como candidatos a se tornarem tristes lembranças, apenas isto. Anote a data do próximo debate, pode ser que já esteja a venda alguns destes pequenos grãos de mostarda, que ajudarão você a mover montanhas. #Inovação