Pesquisadores da Universidade de Michigan, Estados Unidos, publicaram uma pesquisa no qual se apresenta o Facebook como um provável criador de "câmaras de eco" e de "filtros de bolha". As curiosas expressões definiriam a característica do Facebook News Feed, algoritmo da rede social.

De acordo com os acadêmicos, há uma tendência de que o próprio sistema da rede de Mark Zuckerberg conduza os utilizadores a interagirem mais com as pessoas que compartilham das mesmas opiniões, o que levaria os mesmos a comunicarem-se numa "bolha".

A amostragem para a análise do comportamento mediado via Facebook News Feed foi de 10,1 milhões de usuários americanos. 7 milhões optaram por declarar sua tendência política. A pesquisa os enquadrou como "conservadores" ou "liberais". Basicamente, os estudos foram traçados de forma a analisar as interações entre os membros dos mesmos nichos e entre os grupos diferentes.

O algoritmo polêmico e as 'tendências'

A tendência mostrou que os membros dos dois grupos interagem mais com aqueles que pensam de forma semelhante. No entanto, foi também demonstrado que há relações, em menor grau, com as pessoas que pensam de forma diferente. 

Dentre os nichos de liberais e conservadores, a tendência foi de que os conservadores interagissem mais com o conteúdo postado por amigos liberais. A probabilidade aponta 17% de chance de interações por parte do primeiro grupo, contra 6% do segundo. 

Segundo os pesquisadores, os fatores que levariam à percepção desses padrões, seriam a frequência de visitas ao Facebook por parte dos usuários, o quanto interagem com seus amigos e a quantidade de vezes que clicam em links para fora da #Mídia#Comunicação #Internet

Os pesquisadores também constataram outros fatores mais gerais. O Facebook é "mais jovem, mais educado e feminino quando comparado a população dos EUA como um todo". Outras redes sociais têm demonstrado resultados diferentes com abordagens parecidas e a conversação é "assimétrica" - há interatividade entre membros de espectros políticos diferentes.

As conclusões

O indicador da assimetria nas análises das interações por meio do Facebook News Feed, de acordo com os pesquisadores, demonstra que a rede permite a "transversalidade" nas conversas. Os acadêmicos concluem que, mesmo com as restrições causadas pelo contexto, pelas escolhas individuais e pelo algoritmo, a rede social permite que os diferentes grupos interajam, com restrições.