O Uber, aplicativo para smartphones Android e iPhone, tem gerado muita polêmica desde o seu lançamento nos Estados Unidos, em 2010. Sua principal característica é funcionar como um serviço de táxi, sem que seja necessária licença especial para transportar passageiros, a qual é obrigatória para que um táxi "tradicional" possa circular pelas cidades.


Em razão disso, a utilização do App tem provocado a ira de taxistas de todo o mundo e muitos processos já foram abertos contra a empresa homônima fundada em 2009 que tem, como principais investidores, Google e Goldman Sachs.


A maioria dos governos ainda não soube lidar com a situação criada pelo aplicativo. Alguns optaram por simplesmente proibir sua utilização, como é o caso de Índia, Espanha, Tailândia e Portugal.


Já outros, como o Brasil e o próprio Estados Unidos, ingressam constantemente com processos e aplicam multas à empresa, mas nem discutem a possibilidade de regular ou regulamentar sua utilização por enquanto.


Em decisão inédita na América Latina, o governo da Cidade do México estabeleceu nesta quarta (15) novas regras para a utilização do aplicativo.


Cidade do México cria impostos e determina taxas para utilizar Uber



De acordo com a agência de notícias Reuters e com a mídia mexicana, cada viagem realizada através do serviço de transporte privado terá o seu custo elevado em 1,5% , que será o valor revertido em impostos.


Além do novo imposto, as novas regras ainda dizem que os automóveis utilizados pelo Uber devem ter um valor mínimo de duzentos mil pesos, equivalente a cerca de US$ 12.650. Valor superior ao que a empresa havia determinado para operar o serviço, que era de US$ 9.500, incluindo o valor do carro.


Outro ponto estabelecido pelo governo da Cidade do México, diz que cada condutor deverá pagar ao governo local o valor anual de 1.599 pesos, equivalente a cerca de US$ 100,00 para que possa operar o serviço.


Reações à regulação do aplicativo Uber no México



A empresa dona do aplicativo com sede em São Francisco e avaliada em 40 bilhões de dólares, manifestou-se favoravelmente às novas regras impostas pelo governo mexicano, afirmando, através de comunicado, que elas são "bem-vindas".


Por outro lado, o sindicato dos taxistas mexicanos lamentou a regulação e se posicionou, através de entrevista de Rubén Alcántara, líder sindical, dizendo que o governo "faltou com o respeito à classe" e prometeu manifestações já para os próximos dias, falando até em uma possível greve de taxistas.


Atualmente, o aplicativo Uber conta com mais de dez mil condutores e cerca de quinhentos mil usuários apenas na Cidade do México, de acordo com os dados divulgados pela empresa no mesmo comunicado.


No Brasil, o Uber começou a funcionar em maio de 2014. Sua utilização já foi proibida através de liminar da Justiça de São Paulo, sendo ela revogada um mês depois. Um novo pedido de suspensão do serviço foi feito no mês seguinte e, no momento, o aplicativo está operando normalmente em diversas cidades do país, também desagradando aos taxistas e motivando protestos ocasionais.
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