A controvérsia entre a #Apple e o FBI se tornou um drama tecnopolítico. Em um contexto não tão simples – criptografia e privacidade - o desdobramento do caso vem abalando os cantos da Internet e especialistas em segurança de dados.

Em 20 de fevereiro, o governo federal dos Estados Unidos entrou com uma ordem judicial para executar ação em que Apple desenvolva um sistema para que o FBI colete dados do #Celular especificamente usado por um dos responsáveis pelo massacre de San Bernardino, em dezembro de 2015, Syed Farook, juntamente com sua mulher Tashfeen Malik. O desfecho do caso pode ter implicações às liberdades civis quando se trata de privacidade na Internet.

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Tal situação afeta a Apple, atualmente a empresa mais valiosa do mundo, e poderia mudar a maneira como milhões de pessoas vêem seus iPhones: o smartphone seria de confiança ou uma ferramenta potencial de vigilância do governo?

Em carta aberta, o CEO da empresa Tim Cook reiterou as razões para a resistência da empresa às solicitações de jurisdições dos FBI no processo de desbloquear um iPhone pertencente a Syed Farook. A solicitação do FBI à Apple implica na criação de uma nova versão de sistema operacional do iPhone (Software Image File), o que permitiria na quebra de código dos recurso de segurança do telefone, impossibilitando que os dados se tornem inacessíveis ​​sem permissão manual do código correto após dez tentativas.

Na carta, Tim Cook disse que a questão não é apenas sobre um dispositivo em particular:

"Este caso é muito mais do que um único telefone.

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Por isso, ao receber o pedido do governo, sabíamos que tínhamos nos manifestar. Está em jogo a segurança de dados de milhões de usuários, ao que procede a uma consequência desastrosa que ameaça a liberdades civis de todos", disse Cook.

É um choque que está longe de terminar. A  Apple prometeu enviar uma resposta definitiva até 26 de fevereiro, ou seja, o caso terá uma jornada indeterminada para o Supremo Tribunal. Enquanto isso, os políticos recriam discussões sobre leis que exigem que os fabricantes de telefones desenvolvam backdoors em seus dispositivos.

O modelo de telefone usado por Syed, foi o iPhone 5C, que juntamente com sua esposa, Tashfeen Malik, matou 14 pessoas em dezembro de 2015, em agência de saúde do de San Bernardino, onde Farook trabalhava. O FBI diz que o telefone pode conter informações sobre as intenções dos assassinos ou informações de possível conexão com o Estado Islâmico.

Mas o dispositivo tem duas características que estão bloqueando o acesso do governo: um mecanismo que atrasa investigação automática de computador em um processo randomizado de até uma hora, e outra que remove todos os dados após dez tentativas ao introduzir uma senha de desbloqueio.

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"O governo sugere que esta ferramenta só pode ser usada uma vez, por apenas um único telefone.Mas isso não é verdade", escreveu o CEO."Uma vez criada, a técnica poderia ser usad avárias vezes, em qualquer quantidade de dispositivos.No mundo físico, seria o equivalente a uma chave mestra, capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras de restaurantes até casas.Nenhuma pessoa razoável considerará essa atividade aceitável”, conclui Tim Cook.

Na superfície desta discussão, na resolução deste caso pode ser necessário encontrar o equilíbrio entre segurança e privacidade. Mas há muito mais do que isso. Envolve também a crescente tendência para o governo em impor a intervenção de uma investigação secreta, eliminando escolhas que são fundamentais para a dignidade, liberdade e autonomia. Essas são premissas básicas que não devem ser facilmente hackeadas ou invadidas. #Investigação Criminal