Pedofilia, mercado de assassinos, tráfico de drogas e experimentos humanos bizarros, palavras-chave que parecem ter saído de um filme de terror, mas que usualmente são utilizadas como a descrição de uma certa rede anônima (que, com sua popularidade atual nem é tão anônima assim) que muitos internautas conhecem pela alcunha de: Deep Web.

   O objetivo desta reportagem não é fazer o mesmo que inúmeros sites e blogs (principalmente os com temáticas voltadas ao terror) e até mesmo alguns canais do Youtube que ficam postando vídeos sensacionalistas para atrair a atenção de internautas cujo conhecimento acerca do assunto é 0%.

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Assim conseguem mais inscritos para seus canais e milhões de visualizações e continuam disseminando tais mentiras e a maior parte da população continua então a propagar essa visão errada do assunto, que acaba sendo tida como um dogma, uma verdade universal, e portanto, todos aqueles que usam rotineiramente essa rede são tratados como pessoas de má índole e criminosos.

   Para então desmistificar esse mundo cheio de polêmicas tivemos um bate-papo com um dos administradores e fundadores da página Deep Web Brasil no Facebook - que por sua vez, é uma referência para todos que desejam conhecer um pouco mais desse mundo sem serem bombardeados apenas com mentiras e histórias sensacionalistas, lá a vemos como ela é de verdade -, que se prestou a me dar uma breve #entrevista (que será dividida em partes) respondendo umas perguntas fundamentais ao assunto.

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   Segue abaixo a entrevista realizada com Murilo Ianelli (um dos administradores e fundadores da página Deep Web Brasil):

   1. (Francisco - Entrevistador) - Qual a razão da maioria das pessoas terem uma visão negativa da Deep Web? 

      (Ianelli) - A razão da maioria das pessoas terem uma visão negativa da Deep Web é, infelizmente e sem dúvidas, a divulgação errada da ferramenta. A maioria das pessoas conhecem a Deep Web em fóruns ou blogs que contam histórias de terror e veem como tal, não de modo técnico.

   2 (Francisco) - Em tempos de Marco Civil e do recente bloqueio do Whatsapp é possível pensar na Deep Web como uma forma alternativa de comunicação via #Internet (pesquisa, etc...) em tempos de possíveis censuras por parte do governo?

      (Ianelli)  - É totalmente válido que a Deep Web sirva de escape para a comunicação e a troca de ideias e ideais em uma época de censura. As ferramentas que fazem parte desse enorme mundo da Deep Web surgiram justamente para isso. A liberdade de expressão e o anonimato para proteger sua identidade, assim evitando repressão.

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   3 (Francisco) - Como sendo um dos administradores da página Deep Web Brasil no Facebook, quais são os assuntos que mais interessam aos seus curtidores?

       (Ianelli) - Os assuntos mais procurados na página, apesar de abordarmos o lado técnico e não dar ênfase ao terror, são os mais pesados. A galera quer saber do lado podre da rede, não do lado técnico ou legal. Então são histórias como experimentos humanos, hitmans e bonecas humanas que dominam os pedidos.

    4 (Francisco) - De que maneira a DW ganhou essa notoriedade midiática? Qual fato deu origem ao "boom" da Deep Web? Até anos atrás (uns 4 ou 5) quase ninguém sabia do que se tratava e nem nos maiores buscadores da web se encontravam muitas informações a respeito.

        (Ianelli) - Há uns 8 anos eu já participava de comunidades do Orkut que trocavam informações sobre a Deep Web. Ela realmente não era tão famosa. Acredito que o estopim foi o começo da era das creepys, massivamente aqui no Brasil. O tema creepypasta sempre existiu, mas se popularizou bastante recentemente, junto com os modos vlogs que também auxiliaram nisso. E é aquela, uma "aventura" acessível para a galera é bem chamativo. As crianças e os adolescentes amam isso, então alguém que já tinha conhecimento e criou histórias ao redor disso fez com que tudo começasse. Um grupo, talvez. Mas note...Nada técnico. Tudo começa de histórias.  #Mídia