Tay foi o nome escolhido para batizar um robô criado pela Microsoft que tinha como objetivo criar tweets e interagir com as pessoas a partir de um sistema de inteligência artificial, desenvolvido para conversar como se fosse uma garota adolescente.

A novidade foi lançada como um experimento para compreender o processo de conversação. O objetivo da empresa era o de melhorar seu serviço ao consumidor para o software de reconhecimento de voz, oferecendo respostas de uma forma mais “humana”.

Tay aprende a conversar com base nas interações que tem com outras pessoas no Twitter. Assim, a cada mensagem ou tweet que recebe, ela vai recolhendo dados e formando sua “inteligência” a fim de reproduzir o comportamento humano da forma mais fiel possível.

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De fato, Tay chegou a um nível de fidelidade tão alto que, em 16 horas, estava reproduzindo não apenas gírias e palavrões, mas também falas racistas, pró-Hitler, sexistas e pornográficas.

No mesmo dia em que foi lançada, Tay teve seu perfil censurado no Twitter e levou a Microsoft a se desculpar publicamente. A empresa deletou a maioria das postagens e diz que está trabalhando em ajustes para que aquilo não se repita.

Apesar do que aconteceu com Tay ser negativo para a Microsoft, seu programa foi bem-sucedido em simular o comportamento humano na web.

A agressividade e a ignorância, hoje, parecem automatizadas em nosso cérebro quando estamos online. Trata-se de um fenômeno que é sistematicamente intensificado por elementos presentes na rede, apesar de não ser novo, nem mesmo peculiar.

Estudiosos acreditam que o ódio propagado na internet tem, na possibilidade de anonimato e na falta de contato visual, fatores de incentivo.

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Podemos somar a isso a forma como o imediatismo e o excesso de informações têm nos deixado menos pacientes. Não raro nos frustramos por não darmos conta de acompanhar tudo o que acontece ou, ainda, quando nos deparamos com pessoas que não são capazes de raciocinar com a mesma velocidade que o fazemos.

Num espaço em que não existe o mesmo controle com o qual nos acostumamos no dia a dia, como é o caso do virtual, é possível notar que não sabemos o que fazer com a liberdade que nos é concedida. Na medida em que vivemos em uma realidade repleta de limitações (as quais obviamente existem para que sejamos capazes de conviver um com o outro), acabamos ávidos por tirar proveito de um novo ambiente em que elas não existam ou que, pelo menos, estejam bem menos presentes. Eis o humano sendo demasiado humano. #Comunicação #Internet #Desenvolvimento Tecnológico