A sociedade ocidental vive uma época de grande acesso aos mais variados tipos de produtos. Nunca foi tão fácil adquirir equipamentos e aparelhos para a satisfação das necessidades e para garantir uma condição de vida mais próspera.

Esse cenário da sociedade de consumo já era visualizado desde o início do século XX, onde um artigo publicado em 1928, nos Estados Unidos, percebeu espertamente como as indústrias poderiam obter mais lucros e manter seu ciclo produtivo. Nele, há algumas “dicas insinuantes”: por exemplo, qual seria o motivo de se fabricar produtos com maior durabilidade, se o cliente pode dispor de seu bolso e pagar um pouco mais por algo mais moderno? E por que não largar a ideia nostálgica de fazer produtos que durem mais e sejam eficientes?

Historicamente, um ano após aconteceu a Grande Crise Financeira com a quebra da Bolsa de Nova York.

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Como alternativa para tirar o país do atoleiro, o artigo foi útil em restabelecer a ordem econômica e social americana. Vista como a “salvação da lavoura”, o consumo representou – e ainda representa – um grande componente que movimenta a engrenagem da economia. O que antes era uma solução, para os dias atuais, vem causando certo incômodo ao redor do mundo.

Uma das áreas que resolveu abrir uma discussão sobre o consumismo foi a #Europa: de forma deliberada, indústrias e fabricantes de equipamentos como computadores, smartphones e até a linha branca (geladeiras e máquinas de lavar) têm sua vida útil reduzida. Tal propósito subsidia – de forma um pouco perversa – os investimentos em pesquisa e lançamento de produtos. É nesse contexto que entra a obsolescência programada. Até carros já saem das montadoras com uma durabilidade prevista.

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Se você não acredita, vão aqui alguns exemplos como a impossibilidade de retirar as baterias de certos celulares (forçando a comprar um modelo novo) ou a colocação de um chip contador dentro de impressoras para que, num determinando instante, o equipamento pare de funcionar. Uma quebra programada.

Montanhas do descarte

Quando não há mais o que fazer, o lógico é descartar aquilo que não presta mais. Cerca de 215.000 toneladas de lixo eletrônico por ano, vindos de regiões da Europa e dos EUA, são exportados definitivamente para outras regiões do mundo. Um dos destinos da cultura “compre, utilize e jogue fora” é a África.

Em Gana, chegam cerca de 129.000 toneladas/ano de resíduos, os quais são depositados num lugar “especializado na tecnologia do que é inútil” próximo à capital, Accra.

Segundo levantamento da ONU, a indústria tecnológica gera sozinha cerca de 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. Boa parte deles acaba nas mãos de quadrilhas que, revendem ou jogam em lugares irregulares.

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Além da África, países da Ásia como Índia e Paquistão são destinos de celulares, televisões e aparelhos de som imprestáveis.

Na Europa, questiona-se o transporte até regiões longínquas, uma vez que em qualquer parte dessa operação pode haver vazamento de elementos químicos que contaminam a água.

Outro lado da moeda

A obsolescência programada encontra simpatizantes, dizendo que ela é benéfica, pois é a chave para que o mundo continue funcionando do modo que está. A única ressalva deles é que a referida obsolescência deve ser mais controlada.

Porém, segundo pesquisa feita com os consumidores ocidentais, 77% deles prefeririam consertar o que eles têm em casa ao invés de comprar algo novo. É um indicativo de que a maioria gostaria de contar com as redes de assistência técnica para reparar o que custou caro no passado. No entanto, não é o que ocorre: vê-se cada vez menos lojas desse tipo.

A julgar pelo crescimento e pela descoberta de mercados emergentes como a China e a Índia, é difícil conter o ímpeto por mais celulares e eletrodomésticos. Afinal, quanto mais se compra, mais se geram resíduos.

Propostas

Uma delas ganha força nos debates europeus, consistindo na “economia circular”, ideia que leva em conta a fabricação de um bem para utilizá-lo e, no momento do descarte, efetuar um reaproveitamento desse bem – se possível totalmente. É a validação da frase “compro, uso e reutilizo”.

Alguns países já se debruçam sobre essa complexa equação e o primeiro deles foi a Finlândia. Lá, existem start-ups que buscam soluções para o assunto. Uma solução que não é fácil.

A França, por exemplo, possui uma rigorosa legislação [VIDEO]no combate à obsolescência programada desde 2015. As marcas que transgredirem ou praticarem a obsolescência pagam uma multa de até 300.000 euros. #smartphone #Tendências