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O brasileiro Sergio, que preferiu não ter seu sobrenome revelado, trabalhou durante um ano como moderador de conteúdo no #Facebook.

O trabalho que Sergio fazia, em troca de um salário mínimo, incluía assistir vídeos como os de um cachorro de rua sendo incendiado por um grupo de amigos com um isqueiro, adolescentes sendo forçados a realizar sexo oral entre si para quitar contas com o tráfico, entre outros conteúdos chocantes. Em um dos vídeos, uma menina com uma lâmina de barbear anunciava o próprio suicídio.

''Eu checava os vídeos ao vivo para ver se alguém se mataria'', conta o ex-moderador, em entrevista ao portal UOL Notícias.

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Sergio convivia, durante oito horas por dia, com tudo que há de pior no Facebook. O rapaz conta que a meta diária para cada um dos revisores estipulava uma média de avaliações de cerca de 3.500 fotografias, textos e vídeos denunciados; mais de 7 conteúdos denunciados por minuto ou um a cada 8,5 segundos.

A função de cada um destes moderadores é decidir, o mais rapidamente possível, se um conteúdo é tolerável ou se passa dos limites impostos pela rede social. Sergio conta que a grande demanda tornava os revisores propensos à erros:

"Impossível não ter erro humano nesse ritmo", declarou. A rotina de Sergio e de outros milhares de funcionários contratados para desempenhar esta função ilustra bem o empenho que o fundador e proprietário do Facebook, Mark Zuckerberg, aplica para conter algo que aparentemente tem crescido de forma exponencial em sua rede social: as demonstrações cada vez mais explícitas de violência.

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O tipo de conteúdo analisado pelos moderadores, no entanto, não diz respeito apenas a postagens sexualmente explícitas, transmissões de suicídios ao vivo ou violência animal, mas também a conteúdos racistas e xenófobos, além de postagens relacionadas à nudez [VIDEO], porte e uso de armas e drogas, assédio e pedofilia.

E para quem ainda tem na cabeça aquela imagem do Facebook como um escritório descolado do Vale do Silício, com videogames e guloseimas à disposição da equipe, Sergio faz outra revelação.

O prédio que abriga a central de revisão de denúncias da rede social assemelha-se mais com um enorme call center; celulares são proibidos e as pausas para ir ao banheiro e para comer são monitoradas. Contratos de trabalho garantem que os funcionários não vazem informações sobre a empresa mediante a ameaça do pagamento de multas e de processos judiciais.

O rapaz conta que cada uma das decisões que os moderadores tomavam sobre aquilo que era ou não adequado para estar no Facebook era usada para ''educar'' um algoritmo para fazer o mesmo serviço sem a necessidade de uma intervenção humana.

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''Nosso trabalho era tornar nosso trabalho obsoleto'', conclui Sergio.

Depois de vivenciar o Facebook ''por dentro'', o brasileiro conta que desistiu de fazer uso da rede social; Sergio considera que o trabalho o tornou uma pessoa mais ''fria'', inclusive na vida offline. Segundo ele, ver conteúdos fortes diariamente te faz perder parte da sensibilidade, sobretudo em relação à nudez. ''Pornografia perdeu a graça'', revelou.''Preferi me isolar porque não queria ser uma daquelas pessoas que apareciam nas denúncias''.

Parece que a realidade do Facebook é muito pior do que as postagens - devidamente analisadas e permitidas pela rede social - deixam transparecer. #Bizarro #Tecnologia