Imagine a cena: um ator muito famoso no passado tenta resgatar um pouco de sua antiga glória com uma peça de teatro. Momentos antes da performance, ele está trancado fora do teatro e precisa entrar pela frente, pelos funcionários do teatro que não o reconhecem. Isso pode ser pesadelo de qualquer artista famoso (ou que já foi famoso um dia).


Cena semelhante pode ser vista no longa-metragem "Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância)" de Alejandro González Iñárritu, que entrou em cartaz nos cinemas brasileiro quinta-feira (29) e concorre a nove categorias do Oscar. Algo parecido também acontece em "O último ato" de Barry Levinson, que estreia nos cinemas brasileiros dia 26 de março. Ambos os filmes ilustram a mais recente safra de filmes americanos e europeus que escolhem falar sobre atores em crise, em meio a um cenário em que estão perdendo a importância dentro de uma indústria que se preocupa cada vez mais em bajular os mais jovens.


O mesmo tema é tratado no longa-metragem "Acima das nuvens", do diretor francês Olivier Assayas e com Juliette Binoche, Kristen Stewart e Chloe Moretz no elenco. O satírico "Mapa para as estrelas", do diretor canadense David Cronenberg e Julianne Moore, Robert Pattinson, Mia Wasikowska e John Cusack no elenco, também trata do tema. "Acima das nuvens" está em cartaz desde o dia 8 de janeiro. "Mapa para as estrelas" estreia no Brasil dia 26 de fevereiro.


Em "Mapa para as estrelas", envelhecer é comparado a um pecado mortal. O filme mostra uma visão perturbadora da indústria do #Entretenimento, que tem Hollywood como principal protagonista. A personagem de Julianne Moore, Havana Segrand, é uma atriz de meia-idade numa busca desesperada para encontrar um papel que a resgate ao status de estrela. A atriz ganhou prêmio de melhor interpretação feminina no Festival de Cannes de 2014. Segundo Cronenberg, as celebridades de Hollywood têm verdadeira obsessão por serem sempre desconhecidas e afirmar sua existência. Por isso, a personagem Havana tem pavor de deixar de existir no mundo de aparências.


Em "O último ato", adaptação cinematográfica do livro "A humilhação" do autor Philip Roth, Al Pacino vive na pele de um veterano da Broadway em crise. Ele decide sair dos palcos e ir morar no campo com sua afilhada lésbica (Greta Gerwig), quarenta anos mais jovem do que ele. Simon Axler, personagem de Pacino, começa a demonstrar que não consegue mais distinguir a realidade de seus antigos personagens.


Já em "Birdman" e "Acima das nuvens", o fator principal para a crise de identidade dos protagonistas são as redes sociais. No primeiro, Michael Keaton interpreta um ator famoso por uma antiga franquia de super-heróis que tenta recuperar a fama. A história do personagem pode ser comparada com a do próprio Keaton, que viveu Batman nos cinemas há anos atrás. O seu personagem não tem Twitter, Facebook e vive à sombra de seu glorioso passado. Iñárritu se inspirou na crise de meia-idade de Keaton para o filme.

"Acima das nuvens", por sua vez, traz a história de Maria Enders (Juliette Binoche), atriz madura e bem-sucedida que se confronta com seu passado ao começar a uma versão renovada de peça de 20 anos atrás. A peça em questão foi a responsável por deixá-la famosa e traz como coestrela uma atriz em ascensão (Chloe Moretz), que é perseguida por paparazzi. Maria começa a tentar entender qual é o papel e impacto das redes sociais na vida do ator. De acordo com a atriz Juliette Binoche, a melhor maneira de permanecer jovem é não se apegar à juventude e não ficar presa ao passado.  #Cinema