Vida longa e próspera, pelo menos de acordo com os parâmetros "terráqueos", foi a de Leonard Nimoy, o alienígena Dr. Spock do seriado Star Trek (Guerra Nas Estrelas). Paradoxalmente, vítima de um hábito humano cada vez mais combatido. O ator norte-americano faleceu aos 83 anos em 27 de fevereiro de 2015, na cidade de Los Angeles (EUA), em decorrência de doença pulmonar obstrutiva crônica provocada pelo fumo.

Em "Jornada nas Estrelas", o Dr. Spock é originário do planeta Vulcano. Seus habitantes podem viver mais de 200 anos terrestres. São extremamente lógicos e evitam sentir emoções, além de manterem hábitos como o fumo.

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Deste modo, eles conseguiram superar a fase bárbara de sua civilização.

Spock não sorria, apesar de ser filho de um frio vulcano com uma emocional terráquea. O personagem marcou a carreira de Nimoy a tal ponto que a saudação vulcana, Vida Longa e Próspera, passou a ser o jargão do próprio ator. Ele assinava suas postagens no Twitter com a sigla em inglês deste lema: LLAP (Life Long and Prosper).

Em uma de suas últimas postagens no Twitter, Nimoy disse: "A arte não é uma forma de propaganda. A arte é uma forma de verdade". Seu personagem mais famoso apelava para a lógica. A mesma faculdade humana que utilizou em seus últimos anos de vida para alertar contra os perigos do tabagismo. "Parei de fumar 30 anos atrás. Não cedo o suficiente. Eu tenho doença pulmonar obstrutiva crônica. O vovô aqui diz: pare agora!", escreveu na internet.

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Fumo em queda

O tabagismo tirou a vida tanto de atores quanto de pessoas comuns. Os astros de propagandas de uma famosa marca de cigarro, Eric Lawson, Wayne McLaren e David McLean, faleceram em decorrência do fumo. Vários países iniciaram campanhas contra a indústria do cigarro.

No Brasil, pesquisa do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica queda no hábito de fumar do brasileiro. Os resultados mostram que o consumo de cigarros e derivados do tabaco em 2014 é 20,5% menor do que cinco anos atrás. A pesquisa indica que 14,7% dos adultos pesquisados continuam fumando. Em 2008, este índice era de 18,5. A queda se deve à campanha contra o fumo.

"Essa redução de 20% no percentual dos fumantes em cinco anos é importantíssima. Não é uma tendência que se observa quando analisamos o ritmo de queda dos outros países. Isso mostra que a política antifumo no Brasil está tendo um sucesso muito importante. Se considerarmos que temos cerca de 200 mil óbitos por ano relacionados ao tabagismo, isso significa uma perspectiva de economia de recursos, de mais qualidade de vida.

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Com os dados da pesquisa, vamos poder aperfeiçoar as políticas de prevenção e as políticas que organizam o sistema de atendimento e avançar ainda mais na redução do tabaco e de outros fatores de risco à saúde dos brasileiros", destacou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, no site do MS.

O momento de parar de fumar também define a qualidade de vida. Nimoy deixou o cigarro 30 anos antes de morrer em decorrência de seu uso. Os últimos anos de sua vida foram marcados por muitas idas ao hospital. Na internet, o ator chegou a aconselhar seus leitores a deixar o tabaco antes do diagnóstico médico de doenças provocadas pelo tabagismo. "Aí será tarde", dizia.

Leonard Nimoy viveu pela última vez o alienígena de sangue verde Dr. Spock em 2013, no filme "Além da Escuridão: Star Trek". Ele também atuou em outros 31 filmes e séries, como "Missão Impossível", além de trabalhar como diretor. Havia deixado o #Cinema para se dedicar à fotografia e à poesia. #Entretenimento