Um dos autores de Babilônia, Ricardo Linhares, reagiu pela primeira vez aos ataques sofridos pela novela durante toda a semana. O escritor chamou de "intolerância e ignorância" a decisão da frente parlamentar evangélica em pedir que os telespectadores parassem de assistir a história e de até que a trama saísse do ar. A polêmica gira em torno dos beijos homossexuais protagonizados por Fernanda Montenegro e Nathália Timberg, que dão vida à Teresa e Estela. Os políticos dizem que isso é "uma afronta à família brasileira". Além de Linhares, também escrevem o folhetim os autores Gilberto Braga e João Ximenes Braga.

Em entrevista ao colunista Daniel Castro do Notícias da TV, Linhares argumentou que a decisão de boicotar Babilônia é de poucas pessoas.

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"São reações de uma minoria, que não tem qualquer amparo legal', continuou. O escritor ainda fez questão de mencionar a falta de legalidade na nota postada pelos senador Magno Malta (PR-ES) e deputado federal João Campos (PSDB-GO). "Ao usar suas posições no Congresso para atacar a Rede Globo e a novela das nove, eles querem atrair a atenção da mídia para si. E assim se exibir nos seus redutos eleitorais", complementou. A nota pede que os telespectadores parem de assistir ao folhetim por esse ser "uma afronta à família Brasileira".

Para autor, boicote é oportunismo político e lembra a ditadura

Linhares na entrevista ainda afirmou que "a decisão é puramente oportunista e não é algo realmente de #Religião". O co-autor de Babilônia enfatiza que a nota não pode falar em nome de todos os evangélicos.

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Perguntado por Daniel Castro se a atitude dos políticos era um ato de homofobia, Ricardo lembrou que todos têm o direito de se manifestar, mas desde que seja sem ataques e violência: "É lamentável que a motivação seja obscurantista e ditatorial, promovendo a discriminação e a intolerância".

Na entrevista, foi expressado ainda o posicionamento político dos autores da trama. Para eles, dois ícones como Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg são de grande importância na luta contra o preconceito. Linhares lembrou que o convite foi feito justamente a elas por já serem consagradas, não podendo o público desmerecer assim a atuação da dupla.

Para o novelista, a televisão é um local importante a se discutir políticas públicas, preconceito, e, principalmente, para levar a discussão, a reflexão aos lares brasileiros. "Determinados grupos religiosos querem reduzir o conceito de família, na contramão da pluralidade contemporânea", finalizou. #Novelas