Surpreendendo a todos, o júri do Festival de Cannes 2015, liderado pelos irmãos Ethan e Joel Cohen, apresentou os seus vencedores no último domingo (24). Principal surpresa da noite, o prêmio de Melhor Atriz ficou dividido e teve duas vencedoras. Antes favorita por seu papel em "Carol", Cate Blanchett viu a sua colega de elenco, Rooney Mara, dividir o prêmio da categoria com a francesa Emanuelle Becort, por "Mon Roi". Em "Carol", Mara e Blanchet interpretam duas mulheres nos anos 1950 que se apaixonam. Já Becort interpreta uma mulher que se vê envolvida em um relacionamento emocionalmente destrutivo em "Mon Roi".

O longa "The Lobster", estrelado por Colin Farrell e Rachel Weisz, ficou com o Grande Prêmio do Júri, uma espécie de medalha de bronze do festival. O #Filme do diretor grego Yorgos Lanthimos já havia sido bastante aplaudido durante a exibição e trata de um futuro no qual pessoas solteiras são detidas juntas em um hotel onde têm a opção de encontrar o par ideal em 45 dias ou escolher se tornar um animal.

Apesar de não ter filmes na disputa principal, o Brasil também esteve representado na premiação com a vitória do colombiano César Azevedo na categoria Câmera de Ouro, prêmio entregue ao melhor diretor estreante, por "La tierra y la sombra", uma coprodução brasileira que aborda os dramas familiares em uma fazenda de cana-de-açúcar.

O prêmio principal, a Palma de Ouro, também surpreendeu com a escolha de "Dheepan", do francês Jacque Audiard. O longa, que desbancou o favorito "Mountais May Depart", longa dirigido pelo chinês Jia Zhang-ke, conta conta a trajetória de um imigrante do Sri Lanka que vai com a família para a periferia de Paris viver como refugiado, uma realidade bastante comum na Europa e que tem se tornado o foco de diversas discussões políticas, sociais e culturais.

Segundo Elizabeth Lequel, editora de Cultura da Rádio França Internacional: "A escolha dividiu os frequentadores do festival. Não se vê nesse longa mais recente de Audiard características de outros de seus filmes, a fascinação pela violência masculina, a virilidade, a estética. 'Dheepan' é sensível, delicado e até sensual, mas me pergunto se o prêmio é merecido".

Já o Grande Prêmio, segundo mais importante do festival para um longa, foi para "Son of Saul", do diretor húngaro Laszlo Nemes. O filme traz mais um olhar para outro drama histórico europeu, o Holocausto, ao contar a história de um judeu detido em um campo de concentração que tem como missão preparar os outros judeus para a morte na câmara de gás.

O prêmio de Melhor Direção ficou com o veterano diretor taiwanês Hou Hsiao-Hsien, responsável pelo longa "The Assassin", que retrata a história de uma assassina chinesa durante a dinastia Tang e marcou a volta do diretor após oito anos de afastamento.

Nas demais categorias, Melhor Ator para Vincent Lindon, por "La loi du marché"; Melhor Roteiro para o mexicano Michel Franco, pelo longa "Chronic" e Melhor Curta para o "Waves '98", de Ely Dagher. #Televisão