A estreia de Pedro Bial como garoto-propaganda, em um filme publicitário da Fiat, mostra que a publicidade e a propaganda chegaram ao fundo do poço. Por um cachê estimado em R$ 2 milhões, o apresentador do Big Brother Brasil, aparece no comercial recitando versos capazes de fazer o próprio Ronald Coase revirar dentro do caixão. "Carro é um bem que você tem na garagem", diz o jornalista global logo na primeira frase da peça, sugerindo que o automóvel particular é um patrimônio, enquanto qualquer pessoa que faz um curso de técnico em contabilidade sabe que, na verdade, ele é um passivo, uma conta a pagar.

Bial usa da credibilidade que acumulou em anos de trabalho, muito honesto por sinal, para aconselhar o telespectador: "em momentos de se economizar, como agora, escolha a marca que te dá mais segurança".

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Bom, é para economizar ou consumir?!

Depois de confundir - propositadamente? - a audiência, Bial tece elogios à Fiat, que tem os veículos "mais modernos" - quais e em relação a que concorrentes? - e "o maior valor de revenda" - seria bom checar essa informação com quem teve um Marea - da praça. O texto dá mais uma adulada na marca, o que não tem nada de excepcional, afinal, ela pagou caro para explorar a imagem do biógrafo de Roberto Marinho que sentencia, aos 27 segundos do comercial, que tem 30 ao todo: "Esta é a hora de investir num Fiat".

Tudo bem, que filmes publicitários se prestam a vender produtos, de máquinas agrícolas e itens de 'sex shop', mas investimento, para quem entende o mínimo de economia, é a aplicação de capital em meios de produção ou ativos financeiros. Então, como é que alguém pode chamar de "investimento" a compra de um automóvel que, só de sair do concessionário, já perde mais de 20% do valor que o incauto acabou de pagar por ele?!

É incrível como justamente no momento em que a sociedade brasileira dá sinais de amadurecimento e que o consumidor está, no mínimo, mais desconfiado em relação às armadilhas do marketing, uma campanha tão aturdinte é aprovada por uma marca que lidera as vendas do mercado nacional há 13 anos, com todo mérito por sinal.

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"A comunicação não pode prometer vantagens que um produto não oferece", já defendia um dos papas da publicidade e o mercadólogo mais importante da história, Philip Kotler, isso em 1972.

Ao que parece, o comercial, assinado pela Leo Burnett Tailor Made é um tiro no pé e, no final das contas, seu saldo pode negativar a credibilidade de Bial. #Televisão #Automobilismo #Opinião