Após uma apresentação no país, um cidadão marroquino apresentou queixa contra a cantora Jennifer Lopez.

Segundo o jornal eletrônico Alyaoum24, a queixa foi feita por Mukhtar Talihi sob a alegação de que J. Lo fez um "show sexual" no dia 29 de maio, em Rabat (capital do Marrocos). Tahili apresentou, perante o fiscal geral do rei, no Tribunal de Primeira Instância de Rabat, uma denuncia contra a cantora e contra a Associação Marrocos de Cultura, encarregada de organizar o evento mais importante e popular do país, o festival Mawazine de Rabat. O evento, que está em sua 14ª edição, trouxe artistas locais e internacionais como Placebo, Akon, Usher, Maroon 5, J.Lo, entre outros.

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Mohamad Kassi, advogado do Tahili, explicou que seu cliente denunciou Jennifer Lopez por "exposição indecente", um delito punível no Marrocos, segundo o 'artigo 483' do Código Penal. O advogado acrescentou que o show da cantora e atriz norte-americana de ascendência porto-riquenha reúne vários elementos que justificam sua perseguição por "nudez deliberada, atos e sinais obscenos e nudez em um lugar público".

O espetáculo oferecido do J.Lo, carregado de sensualidade e transmitido ao vivo para uma televisão pública, a 2M, escandalizou vários deputados do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD, islamita), ao chefe do governo marroquino e do Partido Nacionalista Istiglal (PI, oposição). A força jovem do PI até organizou um protesto em frente à sede do canal.

O PJD e o chefe do governo marroquino, através do Ministro da Comunicação, descreveram como "inaceitável" a transmissão do show na televisão pública.

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O ministro Mustapha El Khalfi não criticou diretamente a cantora, mas escreveu domingo (31 de maio), em sua conta no Twitter, que é "condenável e inaceitável, além de contra a lei" que o show tenha sido transmitido por uma TV pública.

Jalfi disse que pediu ao comitê de ética da 2M para "avaliar a dimensão ética da radiodifusão" do concerto, realizado em horário nobre, entre 21 e 23 horas. O ministro não especificou os problemas "éticos" do concerto, mas o correligionário, Abdessamad Idrissi, afirmou ser contra o concerto e contra o festival Mawazine no país, no qual realizam shows artistas internacionais, como Shakira, Rihanna, Ricky Martin e Justin Timberlake.

Em seu Facebook, Idrissi escreveu: "Não podemos permanecer em silêncio a mais essa vergonha sobre os valores do povo e da nação". Idrissi ainda foi mais longe, fazendo referência ao patrocínio do rei Mohammed VI ao festival em si: "Não, o alto patrocínio não pode ser de nenhuma maneira uma razão que nos impeça de dizer que Mawazine é um vício e uma violação a decência pública".

Há duas semanas, outro ministro do PJD, Aziz Rabá, abriu fogo sobre o festival, novamente por razões de decência: "Marrocos é um país aberto, mas tem valores e por isso não podem vir alguns artistas e se despir na nossa frente", ele disse. #Famosos #Música