Autointitulado mestre esotérico, Paulo Coelho é o mais puro exemplo do marketing que deu certo.

Nos anos 60, Paulo Coelho teve uma frustrada iniciação como ator e diretor de teatro de vanguarda. Na década de 70, mergulhou de cabeça no movimento hippie, conheceu as drogas e o ocultismo. Foi quando conheceu também aquele que viria a ser seu parceiro musical, Raul Seixas.

A carreira da dupla deslanchou no mais autêntico estilo "bicho-grilo". Raul Seixas, sempre roqueiro, teve uma vida tumultuada. Seus maiores sucessos eram resultado da parceria com Paulo Coelho, que escreveu letras memoráveis como Gita e Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, entre outras trinta e oito canções.

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Além de letrista, se aventurou como jornalista, escrevendo em publicações alternativas. Para um jovem nascido rico, experimentar parecia ser natural.

Seu primeiro livro, publicado em 1982, "Arquivos do Inferno", não teve nenhuma repercussão. O segundo, de 1985, "Manual Prático do Vampirismo", teve sua edição recolhida a pedido do autor, que considerou o livro de má qualidade. Sempre interessado no ocultismo, enfim descobriu que seu verdadeiro nicho era a autoajuda.

Em 1986, percorreu o Caminho de Santiago, viagem de peregrinação desde o sul da França até Santiago de Compostela, na Espanha. Daí surgiu seu primeiro livro de sucesso. "O Diário de um Mago", com uma narrativa simplória, acertou em cheio um público ávido por "religiosidade alternativa". Seguindo a mesma linha, em 1987 publicou "O Alquimista", que vendeu mais de 65 milhões de exemplares e chegou à lista dos mais vendidos em dezoito países.

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Depois deste, foram mais 19 títulos.

O reconhecimento por parte da intelectualidade veio em 2002, quando foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Em 2014 publicou um livro infantil: "Fábulas".

Dizem as más línguas que seu sucesso no exterior se deve à qualidade das traduções. Porém, parece que o segredo de Paulo Coelho foi beber na mesma fonte das igrejas que proliferam pelo planeta: um público ávido por espiritualidade.

Hoje é colunista no G1, onde o forte, mais uma vez, é a autoajuda. Sua última postagem se refere a um Messias e incentiva a fé.

Com 25 milhões de curtidas, sua página no Facebook é repleta de frases de efeito, assim como propaganda de seus livros, é claro. Com uma média de dezoito mil curtidas por postagem, Paulo Coelho é, mais do que qualquer outra coisa, um mestre na arte do marketing pessoal. #Famosos #Literatura #Opinião