Os fãs não devem esperar grandes revelações do documentário "Amy", do diretor Asif Kapadia, que estreia nos Estados Unidos e Reino Unido nesta sexta-feira, dia 3. A produção parte de mais de 100 entrevistas, além de horas e horas de imagens de arquivo, filmagens da família e até mesmo fotos de 'paparazzis' para compor um mosaico sobre a garota prodigiosa, que viveu uma infância e adolescência complicada pela separação dos pais, seu talento inato e seu comportamento autodestrutivo. Nada que os meios de comunicação não tenham explorado a exaustão nos últimos quatros anos, desde a morte de Amy Winehouse, em julho de 2011.

Polêmica é o que não falta a "Amy", exibido pela primeira vez em maio, durante o Festival de #Cinema de Cannes, na França.

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"Fui retratado da pior forma possível", resumiu o pai da artista, Mitchell Winehouse, ao jornal britânico "The Guardian", depois de assistir à avant-première do filme. Ele é o vilão do documentário, um personagem que, antes do sucesso da filha, não passava de um taxista londrino e cantor amador, nas horas vagas. "É enganoso e traz inverdades desde os pontos mais básicos", resumiu a família em sua nota oficial.

Kapadia, que dirigiu "Senna", sobre o tricampeão da Fórmula 1, se defende: "Quando a Universal Music me procurou, em 2012, com o aval dos pais de Amy, deixei claro que só aceitaria dirigir o filme se tivesse total liberdade criativa", enfatizou o cineasta. "Sentei com as pessoas e disse: 'não há surpresas aqui, porque todos sabemos como isso acabou e não foi bonito'. Era a única maneira de o documentário valer a pena".

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Ao contrário de "Senna", em que todos os depoimentos sobre o piloto brasileiro têm uma conotação edificante, "Amy" traz um enfoque totalmente oposto. "O penteado bagunçado, a maquiagem borrada e o hematomas eram uma máscara que escondia a verdadeira cantora", pontua Kapadia.

Realmente, o filme detalha bem a vida de Amy Winehouse, através de um prontuário completo. Só seu primeiro empresário, Nick Shymansky, forneceu ao diretor cerca de 12 horas de vídeos do início da carreira da cantora, na época com apenas 16 anos de idade. Da bulimia ignorada ao consumo astronômico de álcool, o documentário revela que, no auge do vício, a cantora gastava US$ 16 mil - o equivalente a mais de R$ 50 mil - com crack, cocaína e heroína.

Da mesma forma que o confronto de interesses entre família, pai, agentes, bem como a negativa de cada uma das partes em assumir sua parcela de culpa no desfecho trágico da vida de Amy são abordados, a #Música da cantora é resgatada. "Espero, mesmo, que este filme dê um quadro bastante amplo de sua criação artística", pontou Kapadia. Já Mitchell Winehouse espera que esse resgate ponha uma pá de cal sobre o tema: "Queria que, depois deste documentário, as pessoas a deixassem em paz pelo menos por um tempo".

"Amy" ainda não tem data para estreia no Brasil. #Famosos