A Record está tentando mudar sua forma de fazer jornalismo. O canal comandado pelo bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, está cansado de ficar conhecido pela ampla cobertura policial. No jargão jornalístico esse tipo de pauta é conhecida como "espreme sangue" e mais cedo ou mais tarde acaba cansando o telespectador. É por isso que os telejornais voltados à essa cobertura tendem a morrerem e ressuscitarem, como aconteceu no passado com o 'Aqui e Agora'. O próprio 'Cidade Alerta' da Record já foi extinto e depois trazido de volta para a grade de programação.

Outro prejuízo causado por esse tipo de cobertura é gerado na parte comercial. Muitas marcas não aceitam ter seus nomes atrelados à violência. Por conta disso, mesmo com boa audiência, anunciar nos intervalos de programas como o 'Cidade Alerta' ou o 'SP no Ar' pode ser mais barato do que mostrar um anúncio em outros programas da casa. É exatamente por isso que a Globo evita fazer pautas policias. Até porque, infelizmente, esse tipo de notícia é diária, só vira realmente algo relevante, quando alguma coisa diferente acontece. O canal carioca foca nesse tipo de reportagem apenas quando produz grande impacto na sociedade.

A última vez que a Globo teve realmente uma ampla cobertura policial foi em 2010, quando a polícia do Rio de Janeiro invadiu o Complexo do Alemão. Na época, a rede de TV até tirou do ar alguns produtos para mostrar a incursão policial. Repórteres em todos os lugares da comunidade também entraram ao vivo, até mesmo via celular. O resultado foi ganhar o primeiro Emmy Internacional do jornalismo da rede de TV. 

Mas largar o jornalismo para a Record não está sendo fácil. De acordo com informações do jornalista Flávio Ricco em reportagem publicada neste sábado, 25, os repórteres do canal e toda a produção dos jornalísticos estão com dificuldades de acharem matérias de impacto, mas que não estejam relacionadas à violência. Existe um temor que a audiência caia e muita gente seja mandada embora por conta disso.   #Entretenimento #Famosos #Televisão