Imaginem a situação, um grande estúdio de Hollywood está disposto a investir milhares de dólares na produção de um filme contando a vida e a obra do ex-jogador de basquete e HIV positivo Magic Johnson.

Após inúmeras reuniões, elenco e equipe formados, falta ainda decidir um nome capaz de levar multidões aos cinemas. Porque, então, não chamar para o papel principal, Leonardo Di Caprio? Um ator esforçado, carismático e, acima de tudo, talentoso.

Tem tudo para dar certo. O público iria ao delírio vendo Leonardo Di Caprio fazendo cestas com o uniforme do Los Angeles Lakers. Mas aí está o porém. Leonardo Di Caprio é loiro. Magic Johnson é negro.

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Mas, afinal, o que tem de errado nisso? Se é para contar a história do astro, basta que seja bem contada que o público nem ligará para quem é o ator. Não exatamente.

Alguns executivos de Hollywood chegaram ao consenso de que vender imagem é como vender perfume. E estão errados. O perfume vende aroma. O que o torna famoso é seu aroma indiferente de quantas vezes se altere a embalagem. O cimena e os quadrinhos vendem imagem. E isso não se altera. Leonardo di Caprio é um ótimo ator, Michael B. Jordan, o ator negro que faz o Tocha Humana, também é.

Em relação ao filme sobre Magic Johnson, aos não aficionados por basquete, certamente concordariam com a atuação de Leonardo Di Caprio. O mesmo não aconteceria com os fãs deste esporte. O boicote, críticas e salas de #Cinema vazias seriam inevitáveis.

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Foi o que se viu, por exemplo, na estreia do novo "Quarteto Fantástico". Um fiasco sem igual.

Não foi uma questão racial. Mas sim, o produto que a Fox, detentora dos direitos cinematográficos do "Quarteto",  tentou vender. O público norte-americano não aprovou, como já era de se esperar, até porque, além deste equívoco, o filme é muito ruim. 

Os fãs de Magic Johnson sempre o terão como um negro, "gigante" e ágil. Os fãs do "Quarteto Fantástico" sempre terão Johnny Storm como um loiro de olhos azuis. A Marvel tem ótimos personagens negros que renderiam bons filmes e isso já aconteceu com "Blade", para citar um exemplo.

Leonardo Di Caprio terá ainda ótimos papéis para representar, mas, por favor, não lancem "A vida de Magic Johnson" interpretado por ele. Os fãs agradecem e as salas de cinema também.

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